Quase terminou em confusão a reunião pública que aconteceria ontem na Câmara Municipal para que o grupo Bauru Acordou discutisse junto ao poder público os problemas e o estado de calamidade da saúde no município. Os jovens se negaram a dar início ao encontro porque esperavam que o debate tivesse o caráter oficial de audiência pública, inclusive com transmissão ao vivo pela televisão.
Parte do grupo cobrava ainda as presenças do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), de representantes da Secretaria do Estado de Saúde e da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), entidade que gerencia os hospitais instalados na cidade. O Legislativo local não tem competência para convocar os dois últimos órgãos. Foram à reunião pública – que não aconteceu - os vereadores Telma Gobbi (PMDB), Roberval Sakai (PP), José Roberto Segalla (DEM), Sandro Bussola (PT), Roque Ferreira (PT), Paulo Eduardo de Souza (PSB), Raul Paula (PV), além do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. Os dois últimos foram os principais alvos dos manifestantes.
Em determinado momento, por pouco não foram às vias de fato Raul e Charles Belluco – o mesmo integrante do grupo acusado de ter agredido uma servidora na ocupação da Secretária de Saúde, no dia 6 de setembro.
Inconformados com a suposta informalidade do encontro de ontem, os manifestantes organizaram uma assembleia no plenário da Câmara. O vereador tentou intervir, explicando a proposta da reunião. Neste momento, Charles se exaltou e ambos discutiram. Na hora, alguns membros do Bauru Acordou questionaram se Gonçalves Paula iria agredir o membro do grupo. Charles, no entanto, foi quem perguntou se o vereador gostaria de resolver o problema fora do prédio do Legislativo.
O vereador, que solicitou à presidência da Câmara a cessão do plenário, declarou que o grupo perdeu seu respeito. “Eles não querem discutir Saúde. Querem aparecer. Se houver o pedido de audiência pública, voto contra”. O parlamentar argumenta que, desde o início do diálogo, deixou claro o caráter do encontro, tanto que, no ofício divulgado por membros do próprio grupo, aparece o termo “reunião pública”.
Representante do Bauru Acordou, Igor Fernandes disse que a intenção do grupo era exibir vasto material produzido pelo grupo, com denúncias sobre problemas na saúde. “Isso tem que chegar a toda a população. A gente não admite ser tratado dessa forma”. Orientados por Sandro Bussola, integrantes do grupo entregaram requerimento com a solicitação de uma audiência pública, cuja data não foi precisada.
Defesa
Xingado inclusive de assassino por alguns membros do Bauru Acordou, Fernando Monti tentou explicar a divisão de responsabilidades pelos serviços de Saúde entre o poder público. Além disso, deu a entender que o número de 586 mortos à espera de vagas hospitalares pode ser considerado aceitável em um universo de 1 milhão de pacientes e 26 mil internações nos últimos quatro anos e meio.
“Existe inquérito policial que vai apontar quantos desses óbitos foram, de fato, motivados pelo déficit de leitos”, observou.
O secretário alegou ainda que não tem poder de obrigar o prefeito a participar de encontros junto ao grupo. “Eu sou subordinado a ele, que é meu chefe. Na lógica de vocês, a banana está comendo o macaco”.