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Equipe econômica do governo Dilma: tudo junto e misturado

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Discutindo a lógica econômica com estudantes na disciplina de economia, estabeleci de um lado as metas econômicas que devem ser cumpridas pela equipe econômica e de outro lado os instrumentos disponíveis para este cumprimento. Mesmo sabendo que uma política se entrelaça com outra, cheguei à conclusão que a equipe econômica do governo Dilma está fazendo tudo junto e misturado. Esclareço. Qualquer estudante de economia sabe que é preciso criar condições para que o país cresça, gerando riqueza, e que isso seja feito com geração de emprego, mantendo os preços comportados e ainda praticando justiça social através da distribuição de renda.

Para tanto, são utilizadas as políticas fiscal, monetária, cambial e comercial e ainda a de rendas. O que se viu ao longo dos últimos anos foi uso demasiado da política monetária. Controle rigoroso do dinheiro em circulação, juros elevados, política de crédito apertada, ajustes ao sistema financeiro, foram algumas das medidas adotadas. De um lado a inflação ficou comportada, mas de outro comprometeu o crescimento mais consistente da economia. Foram quatro mandatos com esta prática: dois de Fernando Henrique Cardoso e dois de Lula.

A presidente Dilma tentou mudar este modelo. A política fiscal que deveria ser apertada veio muito frouxa na era Lula. Arrecadou mais, mas os gastos, notadamente em custeio, foram acentuados e em crescimento. Mesmo tendo que cumprir meta de superávit fiscal, a fragilidade das contas públicas sempre foi o calcanhar de Aquiles do governo Lula. Dilma herdou o que podemos denominar de caos na gestão do dinheiro público.

Ao tentar tirar o pé da política monetária, e isso foi constatado principalmente com a redução dos juros básicos, entre outras medidas de expansão monetária, não conseguiu substituir o cumprimento das metas econômicas pela política fiscal. Insisto, não que seja necessário eliminar uma para fazer a outra, mas neste caso seria questão de foco. Há motivos e justificativas para que a coisa não desse certa, como por exemplo a crise internacional, mas o certo mesmo que esta coisa de tudo junto e misturado levou ao desequilíbrio econômico, retrato na elevação dos preços, no desajuste do câmbio e das contas externas e queda no produto interno bruto.

Das 4 grandes metas macroeconômicas, o que está bom? Crescemos? Geramos emprego? Controlamos os preços? Distribuímos renda de forma justa? Das políticas, os instrumentos para que a economia seja devidamente monitorada, qual está sendo adequadamente utilizada? Política monetária? Fiscal? Cambial e comercial? De Rendas? Vejam que é difícil afirmar: é esta ou aquela meta, é este ou aquele instrumento.

Quando isso acontece, o governo oferece ao mercado munição mais que suficiente para apontar as fragilidades e este mesmo mercado atua nestas fragilidades. Não tenham dúvidas que boa parte da pressão por juros mais elevados vem dos credores do governo. Também não há dúvidas que o nervosismo no câmbio vem da leitura de que a equipe econômica ainda não acertou a mão. Enquanto isso, o desempenho da economia vive o que posso denominar de lusco fusco, ou seja, a sensação é de cautela, até de queda no nível de atividade, mas os números dos agregados econômicos ainda não sentiram isso, principalmente no que se refere ao mercado de trabalho.

Estamos a um ano das eleições. Temos um final de ano pela frente e um 2014 desafiador. Passou da hora de o governo de Dilma no tocante a economia dizer a que veio. É preciso fazer tudo junto, mas não é preciso fazer misturado. Enquanto a "bagunça" econômica persistir, as fragilidades serão evidenciadas e a sustentação do crescimento adiada. Como coloquei, passou da hora de definir o modelo econômico a ser cumprido.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC

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