Política

Sem caixa e cobrado politicamente, Rodrigo pressiona primeiro escalão

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Evitar manobras perigosas, mas não tirar o pé do acelerador. Essa ideia pode resumir a mensagem passada ontem por Rodrigo Agostinho (PMDB) aos membros do primeiro escalão do governo. A necessidade de conter gastos já foi pauta de outro encontro do secretariado. Nesta quinta-feira, no entanto, o prefeito cobrou a difícil equação de controlar gastos, apresentar resultados e atender a demandas da população e de vereadores.

A reunião de ontem foi convocada na semana passada, após reportagem do JC que revelou o sinal vermelho nas finanças da administração municipal. Despesas de R$ 2,5 mil para a Secretaria Municipal de Cultural, por exemplo, estão sendo postergadas para o ano que vem.

Com o recado dado a anteriormente, muitos secretários pisaram no freio no que tange às despesas. Tanto é que Rodrigo atribui à falta de solicitação da Secretaria Municipal de Educação o fim do cafezinho em unidades de ensino, o que levou professores e outros funcionários a levarem a bebida de casa.

A situação não tem afetado apenas os funcionários da prefeitura. Reivindicações de serviços vêm sendo cada vez menos atendidas. Sinal disso é que um dos mais fiéis vereadores do governo, Fábio Manfrinato (PR), fez duras críticas à administração na última sessão da Câmara Municipal, segunda-feira.

Na tribuna, o parlamentar reclamou do maquinário das secretarias, frequentemente quebrado, e da morosidade da administração, que corria o risco de perder R$ 400 mil liberados por uma emenda parlamentar por não ter apresentado o projeto de adequação e acessibilidade do parque Vitória Régia.

Outros problemas enfrentados no município, como a falta de água, levaram o também “rodriguista” Carlão do Gás (PR) a externar duras reclamações em recente audiência pública na sede do Legislativo.


Proximidade

A leitura de secretários sobre o recado da reunião, segundo apuração do JC, foi a de que Rodrigo cobrou mais atenção às demandas de vereadores, mesmo com a situação difícil nas contas da prefeitura. O objetivo seria amenizar os desgastes provocados por críticas de parlamentares, que parecem ter sido, inclusive, lideradas pela bancada e liderança governista nas últimas semanas.

Oficialmente, a orientação do prefeito foi para que os secretários se aproximem mais da Câmara Municipal.

Na semana passada, ele ficou irritado com ausências do primeiro escalão da administração indireta em audiência pública par o balanço do segundo quadrimestre de 2013. Ontem, além dos secretários, os presidentes do DAE e da Emdurb, Giasone Candia e Nico Mondelli, também participaram da reunião.


Apertado

Ainda sobre a situação financeira do município, Agostinho informou aos secretários que, até o final deste ano, a prefeitura terá disponíveis R$ 100 milhões do caixa, do total de R$ 587 milhões da receita prevista para o município.

Aproximadamente 70% desse valor já estão comprometidos com folha de pagamento e encargos trabalhistas. Portanto, prioridades terão que ser elencadas pelas pastas, algumas já sem dinheiro.

Por conta disso, Rodrigo Agostinho orientou que as secretarias reorganizem suas fichas orçamentárias para que sejam realizados os remanejamentos necessários na peça orçamentária deste ano.

“Isso acontece todos os anos para evitar que serviços sejam interrompidos. Será o mesmo dinheiro que terá sua destinação alterada por projeto de lei que a gente vai mandar em breve para a Câmara”, minimiza o prefeito.


Para sair do papel

O Plano Plurianual para os anos de 2014 a 2017 também foi assunto na reunião do prefeito com seu secretariado. Rodrigo Agostinho (PMDB) cobrou que as ações previstas no projeto que vai virar lei após apreciação dos vereadores sejam efetivadas. “Ele disse que, se colocou no papel, vai ter que cumprir”, contou um membro do primeiro escalão ao JC.

Rodrigo lembrou que a exemplo do orçamento de 2013, a expectativa é de um crescimento tímido nas receitas municipais para 2014, e, justamente por isso, o acompanhamento do planejamento traçado é fundamental.

“Nesse aspecto, o prefeito orientou que o secretariado atente ao Plano de Governo proposto para esta gestão, que foi seu compromisso assumido junto à população”, diz a assessoria de imprensa do governo.

O prefeito fez uma breve apresentação das principais ações contempladas no PPA 2014-2017, dentre elas novas obras previstas, perspectivas de melhorias dos serviços oferecidos, impactos disso em contratação de pessoal, dentre outros assuntos relacionados a planejamento da máquina administrativa.

Rodrigo Agostinho reiterou a importância e ações integradas entre secretarias e lembrou que Bauru receberá grandes eventos em 2014, como os Jogos Abertos do Interior, o que demandará trabalho conjunto.

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