O mar agitado impediu ontem a recuperação dos corpos de migrantes mortos em um naufrágio perto da Silícia, no qual se estima que tenham morrido 300 pessoas, em um dos piores desastres na crise da imigração na Europa.
Até então as equipes de resgate haviam recuperado 111 corpos e esperavam localizar outros 100 dentro e ao redor dos destroços, submersos em 47 metros de água a menos de 1 quilômetro da costa sul da ilha italiana de Lampedusa.
Depois que 155 pessoas foram retiradas com vida da água na quinta-feira, ventos fortes e altas ondas tornaram impossível para os 40 mergulhadores recolherem corpos com segurança. Havia pouca esperança de encontrar mais sobreviventes entre os 500 passageiros que estariam a bordo, segundo estimativas. A maioria das vítimas, segundo testemunhas, estava coberta pelo combustível do barco - o que dificultou seu resgate.
Embora a pequena ilha receba milhares de imigrantes todos os anos e tenham ocorrido naufrágios semelhantes no passado, os moradores ficaram abalados com a extensão da tragédia.
Asilados em Roma
Os 155 sobreviventes do naufrágio serão transferidos e poderão ficar em Roma. Quem anunciou a decisão foi o prefeito da capital, Ignazio Marino, dizendo que será uma “honra” acolher os imigrantes e que Roma privilegiará “a cultura da vida ante o crime da indiferença”. “Os 155 sobreviventes serão acolhidos aqui, graças à colaboração do Ministério do Interior”, disse Marino. “Não podemos mais assistir a essas tragédias e queremos nos empenhar contra o que o papa Francisco definiu como ‘globalização da indiferença’."