Em sua rápida viagem a Nova Iorque semana passada para o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff compareceu a um seminário para empresários, promovido pela rede Bandeirantes de TV, aos quais expôs sua concepção sobre a direção da economia e das diretrizes da política brasileira, convidando-os a participar dos investimentos na infraestrutura do país. Deixou claro aos potenciais investidores que "nós precisamos não só dos recursos, mas da gestão do setor privado, que é mais eficiente, mais ágil e constrói com o menor custo".
A presidente fez também declarações de fundamental interesse aos empresários para que possam confiar um pouco mais na economia brasileira. Foi muito enfática ao afirmar que para ela o equilíbrio fiscal é condição prioritária para que se faça o crescimento econômico. Este é um compromisso que adquiriu singular importância depois das artes que foram feitas na contabilidade fantasiosa que tirou um pouco a credibilidade da política fiscal.
Nós não estamos em situação ruim em matéria fiscal, mas preocupa o nível da dívida bruta que está em 60% do PIB; o déficit continua em 2,5%, o que em si mesmo não é um mal sinal. Quando se olha, no entanto, para a perspectiva de equilíbrio fiscal num prazo um pouco mais longo e se conhece o absurdo das propostas de despesas que estão na Câmara Federal e mais a dúvida sobre a capacidade de lidar com o problema grave da Seguridade Social, cria-se uma dificuldade enorme. Daí a importância das pessoas compreenderem, pelo menos, que o governo entende as limitações das finanças.
A presença da Presidente nos encontros com os empresários deverá resultar certamente em ampliar o interesse de investidores do exterior nos projetos de infraestrutura no Brasil. O aumento do número de competidores e o sucesso de leilões de concessões bem conduzidos serão fundamentais para reacender a disposição do setor privado de correr riscos e realizar novos investimentos, cujo efeito sobre a produtividade será imediatamente antecipado.
A retomada do crescimento depende hoje basicamente do resultado da contratação das obras essenciais na recuperação da sacrificada malha rodoviária, e no aumento da capacidade operacional dos aeroportos e dos serviços portuários, sem o que não será desatado o estrangulamento logístico da economia brasileira. Além da infraestrutura de transportes devem ser acrescidos os investimentos em geração e transmissão de energia do que depende o escoamento da crescente produção da agropecuária nas novas fronteiras do extremo oeste e do norte e o próprio bem estar das populações nas regiões de produção. É nesse contexto que se insere o interesse de utilizar o mercado e cooptar os empresários.
Obra de infraestrutura hoje é a única forma capaz de dar um novo começo ao desenvolvimento. Ela injeta aumento de produtividade "na veia" do processo de crescimento da economia. O sucesso nos leilões da infraestrutura será decisivo para despertar o "espírito animal" dos empresários, reascender a confiança na economia e leva-los a investir de novo.
O autor, Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento e articulista do JC