O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, endossou ontem os acenos enviados ao Ocidente pelo presidente Hasan Rowhani durante a Assembleia Geral da ONU, mas também criticou ações da comitiva iraniana que esteve em Nova York. “Apoiamos as manobras diplomáticas do governo (...) e apoiamos o que foi feito na última viagem”, disse Khamenei em evento com estudantes em Teerã, conforme divulgado em seu site oficial.
“(Mas) alguns aspectos do que ocorreu em Nova York foram inapropriados”, afirmou o líder supremo, chefe máximo da teocracia iraniana, sem dar detalhes.
A ressalva é amplamente vista em Teerã como reprovação à histórica conversa por telefone entre Rowhani e o presidente americano, Barack Obama. Na primeira fala entre dirigentes de Irã e EUA desde a instauração do governo islâmico em Teerã, em 1979, Rowhani e Obama se comprometeram a intensificar esforços para pôr fim ao impasse acerca do dossiê nuclear iraniano, principal ponto de atrito bilateral.
O telefonema selou um ensaio de reaproximação nos bastidores da ONU que incluiu ainda promessas mútuas de concessões nas negociações nucleares e uma reunião a sós entre chefes da diplomacia dos dois países.
Na volta de Nova York, Rowhani foi recebido no aeroporto por apoiadores mas também por militantes ultraconservadores, que o atacaram com sapatos e ovos sob pretexto de que ele está levando o Irã à capitulação.
Eleito em junho, Rowhani busca melhorar a relação com o Ocidente para conseguir um alívio das sanções que emperram a economia iraniana.
Antes da Assembleia Geral, Khamenei havia sinalizado publicamente seu aval ao esforço de Rowhani para mostrar um Irã mais conciliador do que nos oitos anos da controversa Presidência de Mahmoud Ahmadinejad.