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Vaidade pública

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

O brilho do olhar é mais confiante quando a "pessoa humana" vira "pessoa candidata". Até a inclinação da estrutura óssea muda. O queixo sobe um pouco (para olhar por cima, como costuma Obama fazer, fixo no infinito apesar da casa caindo).

Há um ar de grandeza no político que assim se descobre. Um "sou diferente de você" hipoteticamente pregado na testa. Como cantou Lobão em 1988. "Todo mundo se imagina estampado em outdoor" (música "É Tudo pose"). Ou como na música "O candidato", do Ira!, de 2007: ?Quero aeroporto com o nome do meu pai. E avenida principal com o nome da minha mãe."

Bem, mas depois da agitação interna inicial, rapidamente aquele que irá buscar votos do povo (argh!) se veste de humildade. E, claro, adota uma postura mais simples. A sensação de "sou diferente de você" continua pulsando lá dentro. Só não pode ficar aparente no período de colheita de votos.

Após toda a temporada de tapinhas e segurões nos ombros, sorrisos fartos e frases de efeito, vem o resultado das urnas. Se positivo, aquele "diferente de você" imediatamente ressurge - e assim durará por quatro anos. Se o resultado é negativo, as vestes da humildade retornam. Afinal, a luta continua, "fomos coerentes".

Ou, em palavras melhores do que as minhas, como diz o professor e pesquisador Jean Paulo Pereira de Menezes (obrigado, Google). "A vaidade política se manifesta no campo da individualidade e também grupal, organizados ou não em partidos ou outras instituições".

E ainda: "O vaidoso representa um projeto político egoísta, centrado em si mesmo. Ele se apresenta politicamente como o detentor da sabedoria que as massas desorganizadas não possuem, embora seu discurso seja entoado de forma a não revelar este comportamento".

Senhores e senhoras, menos estampa, mais vontade e verdadeiro espírito público. Espíritos não vivem de vaidades.

O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do JC

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