A psicóloga Amélia Kassis ensina como viver e superar a temida fase dos 40 anos: "Primeiro, nós temos que assumir que estamos em crise e, com consciência disso, não tomar decisões impulsivas. Se necessário, busque a ajuda de um psicoterapeuta ou converse com mulheres que já passaram por isso. Em determinados casos, não adianta mudar de marido, por exemplo (risos)". Outro "sintoma" é a mudança de visão da própria imagem no mundo. "Tem mulher que é séria e depois dos 40 fica mais descontraída e vice-versa. Isso a gente nota até no modo de se vestir", observa Amélia, que recomenda: "Coloque-se em primeiro plano e pare de buscar o reconhecimento das pessoas. Realize-se".
No olho do furacão
Aos 40 anos, a funcionária pública Sorys Mello sente o peso dos "enta": "Tenho uma preocupação muito maior com o meu futuro. O que já construí? O que conquistei? Nessas horas fico um pouco frustrada. Em muitos momentos sinto como se tivesse perdido o bonde da história, como se a minha vida tivesse passado e eu não tivesse feito nada de útil", avalia. Bateu a preocupação, mas também a vontade. Ela tem urgência de construir algo: trabalhar em outro lugar e resolver a vida amorosa. "No meu caso, sinto que preciso repensar a relação, já que meu namorado tem três filhos, não quer ter outros, e eu quero ser mãe. Meu tempo está passando e tenho que fazer algo, mudar de fato a minha vida", diz Sorys, que começou a mudança pelo lado de fora. "Mexi nos cabelos. Cortei e mudei a cor. Estou ficando ruiva, aos poucos. Agora vou mudar coisas mais sérias, em volta de mim".
Correndo solta!
A supervisora de vendas Mônica Carvalho tinha a vida como manda o figurino. Casada, com três filhos, aos 40 anos, ela foi promovida no trabalho. Mas não era bem assim que a moradora de Niterói, hoje com 43, queria escrever a sua história: "Eu me reinventei aos 40. Me dei conta de que era casada há 20 anos e não estava feliz. Não era o que eu queria para os meus próximos 20 . Percebi que eu tinha condição de tocar a minha vida sozinha e me conhecer mais como pessoa". Aos 41, Mônica começou a praticar corrida com dedicação e emagreceu 16 quilos em apenas um ano. Depois veio a outra mudança, mais drástica: "Tomei a decisão de sair de casa, o que foi difícil porque tive que deixar meus três filhos na casa do meu ex-marido", explica. A adaptação da supervisora de vendas foi complicada, mas a solução, um tanto simples: "Quando chego ao meu apartamento, não tem ninguém. Aí coloco o tênis e desço para o asfalto".
Padecer no paraíso, sim, e nos "enta"
O sonho de ser mãe, de primeira viagem ou não, é algo que pesa quando se entra nos "enta". A vontade só foi bater na porta da jornalista Eliane Salles, de 48 anos, quando ela tinha 37. "Vivia uma fase ótima, talvez a melhor, mas meu prazo de validade estava vencendo. O casamento estava desgastado e, quando me separei, pensei: ?Agora é que não vou conseguir ter filho?. Mas eu queria isso mais que tudo", lembra.
Aos 39, ela conheceu o pai de Joana, que nasceu quando Eliane tinha 42 anos: "A questão da idade sempre foi um problema mais dos outros do que meu. Eu me sinto com energia, com garra. Minha alma cada dia tem uma idade. Às vezes estou com 15, às vezes com 90. Às vezes faço macaquice que uma menina de 17 não faria".
Já a designer Anna Paula Mello (foto abaixo), de 44 anos, moradora do Flamengo, foi mãe aos 30. Só que ela tinha o sonho de dar um irmãzinho a Maria Eduarda e foi adiando, adiando...
"Minha crise dos 40 foi nesse sentido: queria ser mãe de novo e não sabia se conseguiria, mas, aos 42, engravidei. Apesar do cansaço, hoje me sinto com 30 anos. A chegada de um bebezinho é um sopro novo para toda a família", afirma a designer, que hoje comemora ao lado do pequeno Miguel.