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BlackBerry quer conquistar consumidores de mobile com games exclusivos |
A BlackBerry, que abandonou o nome de RIM (Research in Motion) em janeiro deste ano, também quer deixar para trás o rótulo de "empresa de terno e gravata". A companhia aposta em games para alcançar consumidores além do público empresarial e se estabelecer como uma empresa multifocada.
"O mercado corporativo está em nosso DNA. Somos conhecidos por nossos aplicativos profissionais e segurança dos aparelhos", disse Angel Aldana, gerente sênior de alianças da BlackBerry, em um evento à imprensa, que ocorreu em São Paulo na quinta-feira.
"Mas jogos também são um negócio sério. Games em dispositivos móveis crescem a cada ano. A BlackBerry quer acompanhar essa tendência, com uma boa variedade de jogos e smartphones potentes capazes de rodar os títulos mais complexos", diz o executivo.
Segundo dados da própria empresa, hoje há 230 mil aplicativos na BlackBerry World -loja de aplicativos da empresa. Destes, cerca de 20% são jogos e 130 mil são para o novo sistema da companhia, o BlackBerry 10.
Aldana diz que a companhia canadense firmou parceira com várias desenvolvedoras para ter em seus aparelhos os principais jogos disponíveis no mercado, como Gameloft ("Asphalt", "Modern Combat" e "Batman") Rovio ("Angry Birds"), PopCap ("Plants vs. Zombies"), Halfbrick ("Jetpack Joyride") e EA ("Fifa" e "Deadspace"), entre outras.
Segundo o executivo, o framerate (quantidade de quadros por segundo) dos games que rodam na plataforma da BlackBerry é maior do que em telefones com Android e iOS. Na prática, o número maior de quadros permite que os jogos sejam executados com maior fluidez e visualizados sem travamentos em TVs de alta definição -o smartphone Z10, por exemplo, possui uma entrada HDMI para ser ligado diretamente à televisão.
Mas boa parte dos planos ainda não saíram do papel. No evento, Ludivine Lavialle, gerente da Gameloft, mostrou o jogo de corrida "Asphalt 7", quando outras plataformas, como iOS e Android, já receberam o "Asphalt 8".
Games exclusivos, ponto importante para que um plataforma ganhe importância no mundo dos games, também são peças raras no ecossistema da BlackBerry.
Crise
O foco em games é uma das tentativas da BlackBerry se manter relevante no mercado de smartphones.
A companhia registrou, no fim do mês passado, um prejuízo trimestral de quase US$ 1 bilhão, alguns dias após anunciar que aceitou a oferta preliminar de US$ 4,7 bilhões para fechar seu capital, numa proposta feita pela maior acionista da empresa, a Fairfax Financial.
A acentuada queda na receita da companhia e o acúmulo de prejuízos têm revivido temores de que a BlackBerry, que já foi pioneira no segmento de smartphones, poderá enfrentar um colapso. A companhia planeja cortar 4.500 empregos, ou mais de um terço da sua força de trabalho.
