Os trabalhadores do Brasil todo devem se aborrecer caso queiram receber seus salários e efetuar pagamentos hoje, quinto dia útil do mês, data de recebimento de salários e com parte das agências fechadas. A greve dos bancários entra no 19º dia parando em Bauru cerca de 64 das 70 agências da cidade, conforme dados do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região.
Hoje é considerado o dia de maior movimentação financeira de recebimentos quando grande parte das empresas privadas e públicas pagam salários. Servidores municipais e estaduais e de autarquias também recebem hoje. A perspectiva é de dificuldade para a clientela nos bancos e mesmo no autoatendimento.
A orientação de todas as centrais sindicais representando a categoria nacionalmente é negar a última proposta da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que apresentou, na última sexta-feira, nova proposta prevendo reajuste salarial de 7,1%, com pisos da convenção coletiva reajustados em 7,5%. A proposta mantém a fórmula de participação nos lucros, com correção dos valores fixos e de tetos em 10%, podendo chegar a 3,5 salários.
A recusa da proposta na base sindical em Bauru será discutida em assembleia marcada para hoje 19h, segundo a diretora do sindicato Priscila Rodrigues. “Por enquanto a greve continua”, pontua. O sindicato representa cerca de 3 mil bancários de Bauru e mais 45 municípios da região. Rodrigues acrescenta que são aproximadamente 300 mil bancários em todo o País e 11.700 agências paralisadas. A assembleia ocorre na sede do sindicato, na rua Marcondes Salgado, 4-44.
Com a nova proposta, o piso salarial para bancários que exercem a função de caixa, por exemplo, passa para R$ 2.209,01 para jornada de seis horas; o auxílio-refeição sobe para R$ 22,98 por dia; a cesta-alimentação passa para R$ 394,04 por mês, além da 13ª cesta neste mesmo valor, e auxílio-creche mensal de R$ 327,95 por filho até 6 anos.
Os bancários deflagraram a greve no dia 19 de setembro, depois de rejeitarem a primeira proposta enviada pela Fenaban, de 6,1% de reajuste. Em nota, a federação ressalta que o piso salarial da categoria subiu mais de 75% nos últimos sete anos e que os salários foram reajustados em 58%.
Entre algumas das reivindicações dos grevistas estão reajuste salarial de 22%, mais estabilidade no emprego, redução nas demissões, mais cargos oferecidos, fim das metas, entre outras.