O Ministério Público afirmou que o Amarildo foi torturado por policiais e testemunhas disseram que na UPP da Rocinha choques elétricos e sessões de asfixia com sacos plásticos são usados para tentar arrancar confissões dos moradores, citou a Globo News.
É a vida e a nossa tragédia social imitando a arte. No filme tropa de Elite, as plateias do cinema do Brasil inteiro aplaudiam quando o Capitão Nascimento e sua equipe torturava dessa mesma forma alguns moradores no sentido de seguir a pista dos que estavam envolvidos com o tráfico. Parecia um gol da Seleção Brasileira no cinema quando finalmente o Matias deu um tiro de calibre 12 no rosto do traficante. Mas o correto era prendê-lo, conduzir para a delegacia e, efetuado o flagrante, lhe deixar a disposição da Justiça. Sei que muitos pensam diferente, mas o Estado tem que agir seguindo os princípios da Lei, senão se iguala aos criminosos que está perseguindo. A não ser em confronto, que é matar ou morrer. Mas a partir do momento em que há a rendição, deve se aplicar a norma jurídica.
A partir do momento em que parcela considerável de nossa sociedade é condizente com a tortura, está dando um tiro pela culatra. No começo é com os bandidos, depois com os pobres, a seguir com os favelados, e por aí vai... Uma das denúncias contra a Rota 66 é que seus integrantes já estavam torturando e matando maridos e noivos de suas ex-companheiras. Vejam só que absurdo, e tais acontecimentos são a prova de que defender os fora da lei muitas vezes volta contra a gente mesmo. Se as penas são brandas e ajudam na impunidade, deve-se mudar as leis e discutirmos até a possibilidade de prisão perpétua. Mas retroagirmos na idade medieval, onde imperava o dente por dente e olho por olho, vai deixar a todos nós cegos.
Muitos dos que vibraram com o filme Tropa de Elite podem estar carregando faixa hoje que pergunta aonde esta o Amarildo.
Pedro Valentim