Economia & Negócios

Banco Central confirma: a taxa Selic teve aumento de 9,0% para 9,5%

Por Carolina Matos, Anderson Figo e Sheila D'Amorim | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O Banco Central (BC) subiu nesta quarta-feira (9) o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 9,5% ao ano. É a quinta alta seguida da taxa.

A decisão foi unânime e o aumento confirmou a principal aposta dos economistas, baseada no atual cenário de pressão inflacionária. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 5,86% no acumulado dos últimos 12 meses terminados em setembro, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE pela manhã -é a primeira vez no ano que o indicador fica abaixo de 6%.

A elevação dos juros é um instrumento usado pelo governo para conter o consumo, uma vez que o crédito (tanto empréstimos em instituições financeiras quanto parcelamentos em lojas, por exemplo) fica mais caro. E, com menos demanda, a inflação tende a ceder.

Perspectivas

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, o ciclo de aumento da Selic deve se encerrar na próxima reunião do Banco Central, em novembro, com provável elevação de 0,25 ponto percentual na taxa, uma vez que a intenção da autoridade é conter o avanço dos preços no país no ano que vem.

"O próximo ano é eleitoral. Isso significa que o governo vai gastar mais e, consequentemente, haverá um aumento maior nos preços", explica Manuel Enriquez Garcia, presidente do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia - São Paulo) e da Ordem dos Economistas do Brasil.

De acordo com o último boletim Focus, publicação semanal do Banco Central que traz as projeções econômicas de instituições financeiras consultadas pela autoridade, o IPCA deve encerrar 2013 em alta de 5,82%. Para 2014, mesmo após a alta da Selic, a expectativa é chegar a 5,95%.

"O patamar da inflação, embora o ministro da Fazenda [Guido Mantega] diga que está controlado, continua elevado, o que justifica o fim do ciclo de aumento da Selic apenas na última reunião do BC no ano", avalia João Brügger, da Leme Investimentos.

O processo, no entanto, dependerá do comportamento do IPCA. "Por enquanto, não há sinais que a inflação vai cair a 5,5%, patamar mais confortável. Apesar disso, é importante monitorar os grupos alimentação e serviços, os mais afetados pelo aperto monetário", afirma Garcia.


 

Comentários

Comentários