A Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) pediu ontem um cessar-fogo na Síria durante o desarmamento do arsenal de Bashar al-Assad.
A trégua temporária é necessária, afirmou o diretor da Opaq, Ahmet Uzumcu, para garantir que os inspetores possam destruir as armas químicas até meados do ano que vem - conforme prazo acertado em acordo entre os EUA e a Rússia, aliada de Assad, após o ataque químico de 21 de agosto, quando mais de 1.400 pessoas morreram nos arredores de Damasco.
Segundo Uzumcu, trata-se de uma meta “extremamente apertada”. O equipamento usado na produção dessas armas deve ser inutilizado até o prazo de 1º de novembro deste ano.
Os EUA, que culpam o regime pelo ataque, ameaçaram uma intervenção militar. A Rússia acusa os rebeldes.
A insurgência foi iniciada na Síria em março de 2011 e já deixou mais de 100 mil mortos, segundo as estimativas das Nações Unidas.
“Muito depende da situação no local, e é por isso que nós pedimos que todas as partes na Síria cooperem”, afirmou Uzumcu. “A eliminação (do arsenal químico sírio) é do interesse de todos.”
Volátil
Inspetores da Opaq visitaram localizações ligadas ao programa químico sírio. No total, são 20 visitas programadas para ocorrer nas próximas semanas.
A tarefa de especialistas, no entanto, já teve de ser interrompida diante de disparos. A segurança na Síria, conforme o regime enfrenta a oposição, permanece volátil. Há embates mesmo entre as forças rebeldes, uma vez que militantes islâmicos se opõem aos grupos seculares.
Ativistas afirmam que tomaram um posto de controle na fronteira com a Jordânia. Houve combate em Aleppo, ao norte, com dez mortos.
Assad avança em Damasco
Milícias xiitas do Iraque e do Líbano, com apoio do Exército sírio, ocuparam ontem um subúrbio da zona sul de Damasco, disseram ativistas da oposição, num revés para os rebeldes sunitas que tentam manter seu controle sobre a estratégica periferia da capital.