Tivemos a divulgação de relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) projetando o desempenho econômico das principais economias mundiais para 2014. O estudo do FMI aponta que os chamados emergentes, representados pelos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), crescerão menos do que as projeções anteriores. A notícia ruim para o Brasil é que nosso país será o de menor crescimento entre estes países. Estudos apontam para um crescimento de 2,5% para o Brasil, enquanto a Rússia crescerá 3%, a Índia 5,1%, a China 7,6% e a África do Sul 2,9%.
O contexto mundial ainda prejudicará o crescimento mais acentuado dos países mundo afora. No caso brasileiro, as justificativas são as já conhecidas: deterioração das contas públicas; inflação em alta; dólar pressionado, tudo isso forçando o governo a apertar a política monetária, engessando a economia. A questão que se apresenta é: o FMI está certo nas projeções econômicas para 2014? Do ponto de vista técnico a resposta é sim. No caso brasileiro, o que pode levar a não confirmar estas projeções?
Uma das respostas vem da própria dinâmica do mercado brasileiro. Observem que em meio a um crescimento de 2,5% (confirmado pelo próprio FMI), o desemprego se mantém estável, os agentes econômicos continuam operando forte no mercado. Há casos isolados em que, no olhar microeconômico, estão com desempenho comprometido, mas o todo, no olhar macroeconômico, o desempenho geral ainda pode ser considerado bom.
Outra resposta vem do ano atípico que será 2014. Se não bastasse a Copa do Mundo ser aqui no Brasil, teremos eleições presidenciais. Estes fatos poderão exigir maior intervenção do governo no mercado. De um lado pela motivação dos brasileiros que são muito ligados ao futebol e de outro, o mais importante, a possível intervenção do governo Federal na economia.
Esta intervenção terá como pano de fundo a necessidade de mostrar uma economia mais forte. A presidente Dilma, em busca da reeleição, não poderá apresentar números pífios quanto ao desempenho econômico em seus quatro anos de mandato, o que poderia colocar em risco seu projeto político. Evidentemente que sabemos que não há ambiente para aventureiros e tampouco para oportunistas, ou seja, se houver intervenção, será cirúrgica, certeira, voltada para resultados práticos.
A equipe econômica poderá, em determinado momento, tirar o foco do controle da inflação e canalizar energia para o crescimento econômico gerando um ambiente favorável a manutenção e até ampliação do emprego. Claro que isso poderá levar o país a ter um 2015 complicado, mas em tempos de eleições vale quase tudo.
Uma estratégia no planejamento da vida pessoal e no ambiente da empresa é alicerçar as projeções no pior cenário, que é o traçado pelo FMI, mas criando condições para, a qualquer movimento positivo da economia, estar preparado para virar o jogo. Teremos um ano desafiador sem espaço para amadores.
O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC