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Imóveis de até dois quartos puxam o mercado de locação

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Quioshi Goto

Leandro Oliveira, Fernando Pegorin, Bruno Pegorin e Riad Elia Riad, do Secovi, com Mark Turnbull durante entrevista ao JC

Ainda que os incentivos do governo federal e a facilidade de acesso ao crédito tenham permitido que mais pessoas pudessem comprar a casa própria, o mercado de locação permanece aquecido principalmente por conta da procura por imóveis de até dois dormitórios.

É o que afirma o gerente de Novos Negócios da empresa de consultoria imobiliária CB Richard Ellis, Mark Turnbull, que esteve ontem em Bauru para ministrar palestra no Encontro do Mercado Imobiliário promovido pela diretoria regional do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em Bauru.

O especialista explica que, por mais que o programa Minha Casa, Minha Vida tenha permitido a aquisição da casa própria a um grande número de moradores, sempre haverá demanda para a locação de imóveis.

O perfil de interessados é variado, passando por jovens casais que ainda não possuem filhos, homens recém-divorciados e estudantes ou trabalhadores de outras localidades que pretendem permanecer por tempo determinado na cidade.

“Há ainda uma tendência, verificada nas grandes capitais, de pessoas que moram longe do trabalho e alugam imóveis em local mais próximo para não perder tanto tempo no trânsito. A demanda é muito grande”, frisa Turnbull.

Devido à preocupação com segurança e ao custo elevado dos aluguéis de residências mais amplas, a preferência dos inquilinos tem sido por apartamentos de um ou dois dormitórios.

Diretor da área de imobiliárias da regional do Secovi em Bauru, Fernando Cesar Pegorin destaca que o volume de apartamentos de um dormitório cresceu muito na cidade nos últimos anos, principalmente para atender o público universitário, calculado em torno de 40 mil habitantes.

Segurança e conforto

“Por conta do aumento da renda da população, até mesmo este perfil de inquilino passou a morar melhor. Ele quer segurança, conforto e privacidade. Tem preferido morar sozinho”, salienta. Outra mudança que reforça esta tendência é o fato de estes apartamentos já contarem com melhor acabamento, inclusive com armários embutidos.

“E, como consequência da alta demanda, os apartamentos mais valorizados estão exatamente nos corredores das universidades. Por serem os mais procurados, são os que possuem os aluguéis mais caros dentro deste padrão”, revela Pegorin.

De acordo com ele, nos últimos três anos, cerca de 6 mil novos apartamentos foram construídos em Bauru, sendo grande parte deles com até dois dormitórios. Além da forte demanda provocada pelo grande número de faculdades na cidade, este tipo de moradia também se encaixa nas necessidades atuais dos novos núcleos familiares.

“Hoje os casais têm menos filhos, se separam com maior facilidade porque a pressão moral já é outra e os filhos – com recursos próprios ou com ajuda dos pais – possuem mais condições financeiras de sair de casa para viver sozinhos”, analisa.

 

Mark Turnbull: “Demanda vem de jovens casais, recém-divorciados e estudantes”

Sem alta

O gerente de Novos Negócios da empresa de consultoria imobiliária CB Richard Ellis, Mark Turnbull, destaca que, mesmo com a elevada procura por imóveis de até dois dormitórios, não há expectativa para aumento significativo dos aluguéis no próximo ano.

De qualquer maneira, a orientação ao consumidor é pesquisar preços, comparando a relação custo-benefício oferecida pelas opções disponíveis, e sempre tentar negociar os valores.

“Hoje, imóveis novos e bem localizados são muito valorizados porque são muito visados. Neste caso, se não houver negociação, o ideal é buscar um imóvel mais afastado para não comprometer além de 30% da renda”, ensina.

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