Aceituno Jr. |
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Julgamento de acusado de matar policiais militares demorou cerca de 12 horas |
Seis anos após o acidente que culminou na morte de dois policiais militares (PMs) em Bauru, o réu Evandro Boso Romanholi, 30, foi considerado inocente ontem. O júri entendeu que o acusado, diagnosticado com esquizofrenia, não foi o causador do capotamento que vitimou o soldado Gilberto Gomes Martins e o sargento Ricardo Luís Propheta, respectivamente com 30 e 43 anos na época.
A tragédia ocorreu no dia 5 de setembro de 2007 após as vítimas realizarem, com sua viatura, um acompanhamento ao carro de Evandro pela rodovia Marechal Rondon. Em determinado momento, os carros colidiram e o veículo policial capotou.
Realizado ontem no Fórum de Bauru, o júri popular demorou cerca de 12 horas. Como responde em liberdade e está internado em uma clínica psiquiátrica em Jaú, Evandro só participou do julgamento pela manhã.
Ao todo, seriam ouvidas três testemunhas da Promotoria e cinco da defesa. Desta última, duas não compareceram. Entre as pessoas que deram o testemunho, estavam PMs, policiais rodoviários e peritos que participaram do caso.
Uma das testemunhas mais importantes foi a psicóloga que tratou Evandro dois anos antes do ocorrido. Ela afirmou que o paciente estava em reinserção na sociedade e que foi a situação que o colocou em crise.
“Um paciente esquizofrênico não parte para cima de um problema. Ele tende a fugir e se isolar”, disse a testemunha, que teve a identidade preservada pela reportagem.
Nos embates entre a Promotoria e a defesa, representada pela advogada Daniela Rodrigueiro, falou-se de marcas de frenagem, se os policiais usavam ou não o cinto de segurança no momento do acidente e até se Evandro teria sido agredido após o ocorrido.
Até mesmo o laudo do conhecido perito Ricardo Molina de Figueiredo (encomendado pela família) ficou sob as luzes do debate.
Porém, aos poucos, o julgamento que parecia ter como foco a esquizofrenia do réu foi alterando a questão de embate principal. A maior divergência passou a ser quem causou o acidente que culminou na morte do soldado e do sargento.
O Ministério Público afirmava que o causador havia sido mesmo Evandro, que teria desacelerado o veículo e o deslocado em direção aos policiais. Já a defesa apontava o contrário: sustentava que os policiais teriam tentado interceptar o réu, o que causou o acidente.
Absolvido
“A Promotoria pede que o réu seja considerado o causador do acidente. Porém, pede também que ele seja considerado absolutamente incapaz”, discursou o promotor. Com isso, seria reconhecida a imputabilidade do réu e o juiz poderia determinar a internação de Evandro como medida de segurança.
A defesa, porém, pedia a absolvição total. “Por tudo que foi dito, fica evidente que meu cliente não jogou o carro nos PMs. Foram os policiais que ultrapassaram o carro e tentaram a interceptação. Vejo três vítimas em tudo isso: os policiais e o próprio Evandro”, argumentou a advogada Daniela Rodrigueiro.
Por volta das 23h, com quatro votos, o júri considerou que Evandro Boso Romanholi não foi o causador do acidente que vitimou os policiais. Como o resultado necessita apenas da maioria, não foi divulgado se os três outros votos restantes o condenavam ou o absolviam.
Ao fim do julgamento, que começou praticamente lotado de estudantes de direito, havia apenas uma dezena de pessoas.
Entre elas, familiares de Evandro, que comemoraram a decisão. Os parentes dos policiais mortos não estiveram presentes.
‘Perdemos o Evandro’
Sedado, Evandro Boso Romanholi esteve somente em parte do julgamento. Acompanhado de enfermeiros, ele voltou para a clínica em Jaú onde segue internado. A psicóloga que testemunhou ontem garante: o quadro dele é irreversível.
“Perdemos o Evandro. Em 2007, quando tudo ocorreu, ele fazia um curso e estava se preparando para entrar no vestibular. Hoje, ele está em um quadro permanente de crise. Realmente não há o que fazer”, disse a profissional.
Após o acidente, Evandro ficou preso por mais de um mês no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. Logo após ser libertado, foi internado por decisão da família em Jaú.
Arquivo/Douglas Reis |
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Viatura onde estavam os dois policiais militares que morreram no dia 5 de setembro de 2007 |
Viatura dos policiais capotou várias vezes
O soldado Gilberto Gomes Martins, 30 anos e o sargento Ricardo Luís Propheta, 43 anos, morreram na tarde do dia 5 de setembro de 2007 após a viatura em que estavam capotar em um acidente. Eles acompanhavam Evandro Boso Romanholi, à época com 24 anos, que dirigia um Celta na rodovia Marechal Rondon.
Pouco antes do acidente, na altura do quilômetro 335, o motorista teria colidido em outra viatura da PM que fazia a escolta de duas vans onde estavam adolescentes da Fundação Casa. A escolta seguia no sentido Capital-Interior, já dentro do trecho urbano, quando a viatura teria sido atingida duas vezes pelo Celta.
Diante da suspeita de tentativa de resgate dos adolescentes, o Centro de Operações da PM (Copom) foi acionado e vários policiais se deslocaram até a rodovia. Entre eles, estavam Propheta e Gilberto, que atuavam na área da Base Comunitária Noroeste.
Quando acompanhavam o carro de Romanholi, ocorreu o acidente na altura do trevo de acesso à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília). O veículo oficial rodopiou e capotou algumas vezes.
O soldado Martins foi arremessado para fora do carro e morreu ainda no local do acidente. O sargento Propheta chegou a ser levado ao Pronto-Socorro Central, mas não resistiu aos ferimentos.
O condutor do Celta – que parou a poucos metros de distância, dentro do canteiro central que divide as pistas – não sofreu ferimentos. Romanholi foi autuado em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil.

