Fico curioso, e ao mesmo tempo apreensivo, para saber e entender o porquê das viagens de autoridades brasileiras à Organização das Nações Unidas (ONU). No último mês de setembro, o prefeito da cidade de Bauru, Rodrigo Agostinho, esteve naquele órgão para participar de um evento. A escolha talvez seja porque ele é vice-presidente da Associação de Prefeitos do País, não por ter realizado em seis anos de gestão algo significativo para ser levado à ONU.
O prefeito representou todos os prefeitos do País na assembleia do Global Compact Leaders Summit 2013 ? Arquitetos de um mundo melhor. Por que não levar arquitetos renomados, engajados para discutir assuntos relacionados à sustentabilidade? Prefeitos? Sim, concordo, no resto do mundo eles são importantes, deve ser por isso, talvez, mas no Brasil, apenas representam alto custo e retorno quase zero.
Fico pensando sobre as experiências que nosso prefeito levou ao encontro de governantes de outros países. Penso muito e não encontro nenhuma que me possa encher de orgulho, caso ele tenha explanado a plateia presente.
Ao contrário, sei o que ele vai omitir dos presentes. Como por exemplo:
1. Viaduto inacabado com custo progressivo.
2. Mais de 6 mil casos de dengue.
3. Leishmaniose.
4. Obras paradas para construção da Estação de Tratamento de Esgoto, mesmo com recursos disponíveis.
5. Transporte público caro e ineficiente.
6. Saúde pública que já matou cerca de 600 pessoas em cinco anos.
7. Descumprimento de promessas de campanhas, como por exemplo a construção de uma ou mais pistas de skate para jovens da cidade.
8. Reforma de avenidas de grande fluxo de trânsito como Rodrigues Alves, por exemplo.
9. Definição de um plano de criação de alternativas viárias para atender o forte crescimento da expansão imobiliária.
10. Ausência de planejamento para atender o crescimento urbano, como por exemplo a questão da destinação do lixo orgânico e reciclável.
São apenas dez questões, para não alongar demais, pois os prefeitos brasileiros e o bauruense não fogem à regra, centralizam poder, dividem cargos e comissões com pessoas de partidos e não tecnicamente qualificadas, como deveria ser em qualquer gestão pública.
Que prefeito brasileiro poderia falar sobre os seguintes temas sem receio de estar mentindo? a) Mobilidade Urbana b) Licitações de grandes obras realizadas sem resquício algum de improbidade ou quaisquer suspeitas em seu processo c) Saúde e educação de qualidade d) Planejamento viário e) Saneamento básico e tratamento de água e esgoto f) Gestão moderna, transparente e eficaz
Eles não pensam a cidade, não discutem com a sociedade aquilo que tanto interessa a elas, como a criação de novos empreendimentos imobiliários, plano diretor, projetos de novas obras e, enfim, o planejamento do que é essencial ao cidadão. Sendo assim, a viagem à ONU será, com certeza a passeio, nada mais. Exceto se nosso prefeito tiver humildade para aprender com experiências bem sucedidas de outros prefeitos ao redor do mundo, onde a honestidade e o trabalho pelo bem comum são regras e não exceção como no Brasil.
Rafael Moia Filho