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Força-tarefa vai investigar crime organizado 24 horas por dia, diz Alckmin

Por César Rosati | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou hoje (14) a criação de uma força-tarefa para investigar as denúncias feitas pelo Ministério Público sobre ações de integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Divulgação

Alckmin anunciou hoje (14) a criação de uma força-tarefa

O anúncio foi feito após uma reunião com a cúpula da polícias Militar e Civil, além das secretarias de Segurança Pública e Administração Penitenciária. O encontro, que tinha como objetivo discutir as recentes ameaças PCC reveladas por uma investigação do Ministério Público, começou por volta das 10h20 e durou cerca de 40 minutos.

Segundo Alckmin, policiais civis e militares, além de promotores, vão atuar 24 horas por dia no Ciisp (Centro Integrado de Inteligência em Segurança Pública) para apurar as denúncias e rastrear as ligações telefônicas entre presos. A ideia também é investigar os policiais suspeitos de envolvimento com o crime organizado.

Promotores denunciaram 175 pessoas sob suspeita de formação de quadrilha e atuação no crime organizado. O Ministério Público ainda pediu o isolamento dos 35 integrantes do PCC no Regime Disciplinar Diferenciado.

A Justiça negou a prisão de todos os denunciados e apenas dois criminosos foram isolados. A Promotoria recorreu da decisão.

Nos próximos meses, o Gaeco (grupo que investiga o crime organizado) deverá, juntamente com as corregedorias das polícias, apresentar denúncia contra policiais que, segundo o Ministério Público, foram flagrados em escutas ajudando ou extorquindo os criminosos.

O secretário de Estado da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, disse que pretende agilizar o processo para o afastamento de policiais envolvidos com o crime. "Na Polícia Civil existe uma via rápida para que policiais corruptos sejam afastados. Estamos trabalhando para que esta mesma rapidez seja aplicada na Polícia Militar", disse o secretário.

Hoje, o Ministério Público pediu para que a investigação seja compartilhada com a Secretaria de Segurança Pública. O objetivo é auxiliar a Corregedoria no processo de indiciamento de policiais que tenham qualquer tipo de vínculo com o crime organizado.

O governo sabia das investigações dos promotores, mantida em segredo de Justiça, mas não podia utilizar as informações sem autorização. Com o compartilhamento, a abertura de inquéritos poderá ser mais ágil.

Toda a investigação deve ser entregue ao governo do Estado amanhã (15). Ao menos cem policiais foram afastados neste ano, acusados de participação e colaboração com facções criminosas.

Bloqueio de ligações

O bloqueio de ligações de telefones celulares também deve ser agilizado, segundo o governador. Alckmin disse que vai apressar a realização e conclusão dos pregões eletrônicos para dotar de sistemas anticelular pelo menos três penitenciárias estaduais até dezembro.

"Temos um problema de tecnologia. Foram feitos testes com apoio da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para definir a melhor tecnologia que será instalada até o fim do ano", disse o governador.

Durante a maior investigação já realizada contra o PCC em todo o país, o Ministério Público concluiu que a facção tem cerca de 11.400 membros em 22 Unidades da Federação, no Paraguai e na Bolívia - sendo 7.800 em São Paulo, dos quais 6.000 presos, inclusive a cúpula do grupo.

A facção movimenta cerca de R$ 120 milhões anuais. Suas principais fontes de renda são o tráfico de drogas, o pagamento de mensalidades e o sorteio de rifas.

              

 

 

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