Foi expedido à Prefeitura de Bauru, ontem, ofício da Comissão de Obras questionando a justificativa técnica para o aditivo no valor de R$ 1,2 milhão firmado entre a administração e a Demop Construções, empresa contratada para implantar 30 quilômetros de galerias pluviais no município.
As obras foram problemáticas e a empresa já era alvo de inquérito do Ministério Público, que, na semana passada, incluiu o aditivo como item das investigações.
Os vereadores Renato Purini (PSDB), Lima Júnior (PSDB) e Fabiano Mariano (PDT) – membros da comissão – pediram ainda cópia do levantamento planialtimétrico, do cadastro e do projeto técnico completo referente às obras contratadas, além da cópia do empenho do pagamento referente ao aditivo, no que diz respeito a possíveis erros de projeto, e a data do pagamento com cópia da publicação no Diário Oficial de Bauru (DOB).
Na semana passada, o JC revelou a existência de erros grosseiros no projeto básico desenvolvido pela Secretaria Municipal de Obras, que contraria alegações da administração de que o aditivo tenha sido motivado por serviços adicionais já executados pela Demop.
“Se esses adicionais seriam necessários, por que não foram incluídos no projeto? Quem assinou o projeto? Se houve erros, que se abra sindicância. Enquanto os projetos não forem bem feitos, esses problemas vão persistir”, colocou o vereador Moisés Rossi (PPS).
O presidente Sandro Bussola (PT) declarou que não aguenta mais ouvir falar no demônio chamado Demop. “O começo do nome é igual. É muita coisa acontecendo. Vejo a preocupação do Sidnei [Rodrigues, secretário de Obras], que é uma pessoa séria e comprometida. Mas precisamos esclarecer os fatos. Qual erro foi esse? O valor é muito alto e a cidade não tem como pagar”.
Já Fabiano Mariano (PDT) lembrou que, para vencer a licitação, a empreiteira ofereceu desconto de 17% sobre o valor. “Agora, com o aditivo de 17%, ela recupera o deságio. Isso não parece erro, mas sim a recuperação desse percentual”, finalizou.
“Como cachaça...”
Utilizando-se de três imagens, Arildo Lima Júnior (PSDB), durante seu discurso na sessão legislativa de ontem, afirmou que o prefeito Rodrigo Agostinho (PSDB) perdeu o controle sobre o governo e a administração de Bauru.
A primeira imagem era de uma cachaça, cujo nome era “82”, fazendo referência à porcentagem com a qual o peemdebista foi reeleito em 2012. “A embriaguez com a votação está fazendo com que os pés [do prefeito] saiam do chão. Perdeu a consciência”.
Segundo o vereador, a realidade vem à tona com a imagem de dois promotores, estampadas em reportagem do Jornal da Cidade, tratando de duas denúncias que envolvem o governo: o caso Mobaid e o aditivo com a Demop. “Isso é reflexo do descontrole. O rumo foi perdido e o Ministério Público está determinando as políticas de Estado. Foram duas denúncias gravíssimas na semana passada. Em uma delas, o aumento do valor do contrato com uma empreiteira. No outro caso, vemos que um senhor que já foi motivo de escândalo e cassação de prefeito ainda continua gravitando”, reclamou Lima Jr.