O Outubro Rosa, campanha do grupo Amigas do Peito para conscientizar sobre o câncer de mama, ganha em Bauru uma versão animal, com a idealização do Outubro Rosinha.
O envelhecimento dos cães e gatos exige mais cuidados com a saúde do bicho de estimação. Abrindo mais uma frente, além do combate aos maus-tratos, profissionais e pessoas envolvidas com a causa animal se mobilizam para a prevenção do câncer de mama principalmente em cachorras e gatas.
A protetora de animais, a comerciante Mariana Fraga Zwicker, 33 anos, idealizadora do Outubro Rosinha, vende artigos – semijoias, bolsas, chinelos e outros – com motivos animais para o público que gosta de pets.
Ela percebeu que sua clientela constantemente comenta da saúde de seus bichos de estimação. Mariana percebeu a urgência de uma mobilização com o apelo Outubro Rosinha ao integrar uma força-tarefa para encontrar os donos da cadelinha basset Gauchinha (leia mais abaixo).
Aos 13 anos e com nódulos mamários, Gauchinha apareceu na praça Nove de Julho (praça da ITE), na Vila Pacífico. A simpática basset estava desorientada após ter fugido de casa.
Mariana avalia que o câncer de mama em animais ainda é pouco conhecido por grande parte das pessoas. Com idade avançada, Gauchinha não é castrada e chamou sua atenção porque representa uma geração de animais idosos que receberam em sua trajetória de vida alimentação balanceada – ração –, atendimento veterinário e outros cuidados e vivem mais e melhor.
Mariana comenta que, devido à idade da Gauchinha, os veterinários têm restrições em submetê-la a uma cirurgia para retirada dos tumores (miomas) aparentes nas mamas da basset.
“Às vezes, o animal pode não aguentar a anestesia porque um animal idoso fica mais sensível”, pontua. Neste caso, a protetora de animais avalia que o bicho receberia um tratamento menos convencional, com adoção de anestésico mais apropriado.
Pontapé inicial
O Outubro Rosinha começa com a comercialização de camisetas confeccionadas para conscientização. Mariana articula a confecção das peças para venda a preço de custo.
“O objetivo é realmente o trabalho de conscientização das pessoas”, pontua. Na próxima semana, deve sair a primeira leva de camisetas. A comercialização será feita na loja de Mariana.
Serviço
As camisetas do Outubro Rosinha serão vendidas na loja Animal Lover, instalada na Galeria Victoria, na avenida Getúlio Vargas, 6-15, loja 12.
Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3243-4312.
Castração
A campanha também foca os benefícios da castração dos animais de estimação. A protetora de animais Mariana Fraga Zwicker cita que as pessoas temem a castração por imaginar que seu bicho de estimação será mutilado.
A veterinária Fabiana Sargasso explica que, quando a fêmea não é castrada, poderá desenvolver gravidez psicológica – pseudociese ou falsa prenhez.
Conforme Sargasso, as mamas podem ficar repletas de leite e desenvolver quadro inflamatório, com possibilidade de evolução para o câncer mamário. A veterinária não nega que determinadas fêmeas castradas possam desenvolver câncer mamário, exigindo acompanhamento constante, com exames de ultrassom e raio-x.
A veterinária esclarece que estudos nos Estados Unidos demonstraram que cadelas castradas antes do primeiro cio – cerca de seis meses de vida – no futuro terão somente 0,5% de chance de desenvolverem câncer de mama. As mesmas condições de castração em gatas podem reduzir em até 80% a probabilidade de desenvolvimento do câncer mamário.
Sargasso orienta os donos que conheçam o histórico familiar dos seus animais, devido à propensão genética relacionada com algumas doenças. Conforme a veterinária, a possibilidade de uma fêmea desenvolver câncer mamário aumenta caso sua mãe tenha desenvolvido a enfermidade.
Em seu consultório, a veterinária deixa à vista dos clientes material de orientação pontuando os benefícios da castração.
A castração evita crias indesejadas, doenças sexualmente transmissíveis, cruzamento indesejável, previne doenças (neoplasias em órgãos reprodutivos), evita a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis, previne outros tipos de doenças graves, como a piometra, causada por uma infecção bacteriana dentro do útero de cadelas e gatas.
A bióloga Fátima Schroeder, da ONG Naturae Vitae, reforça que ainda há muita desinformação com relação ao benefício da castração. “Há também falta de um hospital público”, finaliza.
Presente de casamento
A basset Gauchinha é um presente de casamento ganho por Rosane Dalpiaz Alonso, 34 anos. Ela entrou na vida de Rosane com 40 dias de vida e já foi para Campo Grande (MS), onde a gaúcha, nascida em Caxias do Sul (RS), foi residir após o matrimônio.
Passados 13 anos, Gauchinha fugiu de sua dona pela primeira vez no sábado, dia 5 de outubro, e deu um baita susto em todos. Rosane conta que anunciou o desaparecimento da basset em veículos de comunicação, como o Jornal da Cidade, nas redes sociais e espalhou cartazes na Vila Pacífico II, onde reside na rua Izidoro de Santis. Também passou a circular nas imediações para tentar localizar o animal.
Provavelmente, Gauchinha tenha se aproveitado da abertura do portão da casa, para retirada do automóvel, por volta das 7h, quando a família saiu para viajar. Geralmente, quem foge na família é o vira-lata Bindi, de 4 anos.
Gauchinha fez um périplo pelo bairro até ser encontrada. Conforme Rosane, a basset foi vista no domingo pela manhã na quadra 6 da rua Salvador Filardis, em frente ao portão principal do Hospital Manoel de Abreu. Por lá, ela ficou entretida com a tradicional roda de viola em um bar. Posteriormente, a basset seguiu várias quadras na direção da rua Campos Salles.
A simpática Gauchinha estava desorientada quando foi socorrida na praça Nove de Julho – na porta principal da Instituição Toledo de Ensino (ITE). As pessoas acionaram a bióloga Fátima Schroeder, da ONG Naturae Vitae. Ela mobilizou sua rede de contatos para localizar a família de Gauchinha. Enquanto os dias se passaram, a dócil basset recebeu os cuidados da veterinária Fabiana Sargasso. Fátima viu a descrição de Gauchinha em um anúncio no JC e não teve dúvidas em contatar a família que anunciava o desaparecimento da basset.
Na manhã da última quinta-feira, quando Gauchinha percebeu a presença de sua família na clínica veterinária, não se conteve de alegria no colo de sua dona e com os agrados de Henrique, 8 anos, Helena, 3, e Felipe, 1 ano, filhos de Rosane.
“Tinha perdido as esperanças. Teve noites frias e fiquei pensando nela”, relembra Rosane. Gauchinha realmente teve sorte porque tem problemas de visão diagnosticados por Sargasso como catarata.
A basset está bem de saúde, para um animal de 13 anos e que já teve quatro filhotes quando tinha 4 anos de idade. Para o filho mais velho de Rosane, Henrique, Gauchinha é muito importante por ser o primeiro animal de estimação do menino, hoje com 8 anos.