Política

Vereadores querem ouvir ex-secretário

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.

Markinho da Diversidade, Renato Purini, Carlão do Gás e Lima Júnior discutem a crise  

Os vereadores Renato Purini (PMDB) e Sandro Bussola (PT), líder do governo e presidente da Câmara Municipal, respectivamente, defenderam ontem, na tribuna, que o ex-secretário Rodrigo Said seja chamado pela Comissão de Fiscalização e Controle para depor sobre as denúncias apresentadas por José Amir Neme Mobaid.

Na semana passada, o pecuarista foi à sede do Legislativo e relatou suposto esquema na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) envolvendo a aprovação de empreendimentos residenciais de alto padrão em Bauru. (Leia mais na página 4)

Os fatos mais relevantes à denúncia, como a aprovação de permuta de glebas e subavaliação da área do empreendimento Spazio Verde Comendador, aconteceram entre julho e dezembro de 2012, quando Rodrigo Said respondia pela Seplan.

O atual secretário, Paulo Ferrari, assumiu o cargo em janeiro deste ano e já foi convocado pelos vereadores da Comissão de Fiscalização do Legislativo a prestar explicações e apresentar documentos referentes ao processo. A oitiva está marcada para as 10h de hoje.

“Os fatos aconteceram antes do Ferrari. Vamos chamar o Said para que ele explique os critérios de avaliação das áreas”, disse Purini.

Bussola lembrou que Paulo Ferrari compareceu à reunião da comissão de forma espontânea na semana passada, mas será ouvido oficialmente nesta terça-feira. “Mas é fundamental que a gente ouça o Said também”.

Acontece que a Comissão de Fiscalização e Controle não tem poder de convocação um ex-secretário que não seja servidor público. Os vereadores ficam restritos a convidá-lo, a não ser que fosse instaurada Comissão Especial de Inquérito (CEI).

No mais, ambos discursaram em favor da cautela nas apurações. “Precisamos separar o que é paixão motivada por questões comerciais do que é responsabilidade do poder público. A gente tem que focar neste segundo ponto”, pontuou Purini.

Bussola, por sua vez, classificou a denúncia como grave e observou que as apurações devem ser conduzidas de forma independente, sem a interferência de interesses obscuros.

O petista disse ainda que essa é a oportunidade para que a Seplan, seu papel e sua atuação sejam rediscutidos. “O modelo é ultrapassado. Precisamos de um Instituto de Planejamento”, frisou.

Responsabilidades

Presidente da comissão, Roque Ferreira (PT) declarou ser contrário a chicanas sobre assuntos de alta gravidade e afirmou que não vai permitir que os trabalhos legislativos sejam contaminados por disputa de natureza político-partidária. “Se houver irregularidade, vamos apontar, inclusive os responsáveis, e sugerir punição”.

Relator do caso na Fiscalização e Controle, o oposicionista Lima Júnior (PSDB) ponderou que não vai permitir que servidores de quinto escalão sejam usados como boi de piranha. “Os gestores têm que assumir suas responsabilidades. Lendo as justificativas que o governo deu até agora sobre o caso, é preciso que deixemos isso claro”.

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