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Direito à alimentação sadia

Iolanda Toshie Ide
| Tempo de leitura: 2 min

Não há dúvida de que vários/as índios/as dos mais variados povos têm apresentado uma preocupante taxa de obesidade e diabetes. Não ocorre só no Brasil, mas também entre os Maias. Uma pesquisa entre imigrantes japoneses no Brasil verificou também que a incidência de diabetes duplica na segunda geração. Uma hipótese, cada vez mais plausível, aponta para mudanças nos hábitos alimentares e/ou ao uso excessivo de alimentos industrializados.

Foram detectadas várias enfermidades provenientes da alimentação inadequada: além de diabetes, hipertensão, obesidade, câncer e comprometimento genético, foram encontrados na Nicarágua, Guatemala, México, Brasil... Hoje, avolumam-se, cada vez mais, as enfermidades decorrentes de alimentos insalubres. Não se trata apenas de contaminações por higiene insuficiente, mas das decorrentes de uso indiscriminado de agrotóxicos. Chega-se ao absurdo de mães nutrizes serem obrigadas a deixar de amamentar seus bebês por contaminação do leite materno: a água colhida nas torneiras domésticas estavam comprometidas pela aspersão aérea de agrotóxicos.

Não se trata apenas de descuido, mas da violência (chegando a assassinar quem tentou proibir a aspersão aérea de agrotóxicos) dos conglomerados que produzem insumos agrícolas, agrotóxicos e, também, dominam a aquisição de alimentos, especulando e encarecendo seus preços. A fome não é uma questão de falta de alimentos (produz-se o suficiente para o dobro da população atual), mas de acesso.

Ademais, cada vez mais as corporações transnacionais adquirem terras sobre terras, além de dominar as fontes de água. Na região de Apodi (Ceará e Rio Grande do Norte), cada vez mais os pequenos agricultores estão sendo desalojados para dar lugar aos grandes empreendimentos agrícolas consumidores de muitos agrotóxicos e fertilizantes químicos que contaminam o ar, a água, o solo, além da população. Nesse Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), nada mais urgente que defender a Soberania Alimentar, o direito à alimentação sadia. Fundamental para a qualidade de vida, só pode ser garantida com os princípios da agroecologia, sementes crioulas e insumos naturais.


A autora, Iolanda Toshie Ide, é colaboradora de Opinião

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