Caíram por terra os planos da ex-senadora Marina Silva de registrar o seu novo partido denominado Rede Sustentabilidade a tempo de disputar as eleições de 2014, frustrando assim suas expectativas de concorrer à presidência da república pela legenda. O registro deve ser feito até um ano antes das eleições. O TSE não acolheu o pedido de registro nacional do partido por decisão de 6 votos a 1. O motivo da recusa foi que a nova agremiação não teria atingido as cerca de 492 mil assinaturas necessárias para a realização do ato, faltaram 50 mil. As esperanças de Marina, baseavam-se no pedido da aceitação de cerca de 100 mil assinaturas rejeitadas pelos cartórios eleitorais dos estados sem qualquer justificativa, porém foi rechaçado, por não haver previsão legal para o seu acolhimento. Ainda há a possibilidade de recurso para o STF.
Inegável a retidão do TSE no cumprimento da legislação, porém o que se questiona, é que tamanha rigidez não foi aplicada também aos pelo menos três últimos partidos que pleitearam o registro recentemente. O PSD (Partido Social Democrático), novo partido de Gilberto Kassab, teve seu pedido aprovado em 27/09/11, mesmo com parecer contrário do Ministério Público Eleitoral. Houve várias denuncias relativas à fraude na coleta de assinaturas. Recentemente mais dois partidos conseguiram de última hora a aprovação de seus registros, o PROS (Partido Republicano da Ordem Social), liderado pelo desconhecido Eurípedes Gomes de Macedo Júnior (ex PSL-GO), e o Solidariedade, do já tarimbado Paulo Pereira da Silva o "Paulinho da Força" (ex PDT), ambos também sofreram gravíssimas denúncias no que diz respeito às assinaturas (teriam sido encontradas assinaturas falsificadas, duplicadas e até mesmo de pessoas que já faleceram), porém, mesmo assim, tais partidos adquiriram seu registro sem maiores dificuldades e poderão concorrer às próximas eleições. O País conta agora com 32 partidos políticos, sendo que os três últimos não trouxeram nenhuma proposta ideológica, e ao que tudo indica, vão apenas encorpar o número dos chamados "partidos de aluguel", participando do fundo partidário e enfraquecendo a democracia nacional.
Ocorre que a criação da Rede Sustentabilidade e a consequente candidatura de Marina Silva, não era interessante para ninguém (com exceção do eleitorado), a ex senadora saiu da última eleição presidencial (2010) com 19,6 milhões de votos, sendo a terceira força nas urnas, atrás apenas de Dilma Rouseff e José Serra, ademais, foi a única figura política do país que contou com algum fortalecimento após os protestos de junho, pois soube, com uma certa dose de oportunismo, e uma mistura de progressismo e populismo evangélico, vestir a carapuça da negação de todo o sistema político nacional vigente, tratando o seu novo partido , como se partido não fosse, apesar de ser uma figura política de carteirinha, ex militante do PT e também do Partido Verde.
Somado a isso, vinha recebendo crescente apoio de figuras artísticas e intelectuais, representando talvez a única alternativa para quem gostaria de ver algo "diferente" nas próximas eleições, um perigo real tanto para os partidos que compõem a base governista, como para a oposição. Daí a razão por encontrar tanta resistência e má vontade dos órgãos públicos, principalmente os cartórios eleitorais que claramente cederam à pressão política causada por seus futuros adversários.
De qualquer forma, fica evidente que, mesmo Marina candidatando-se por um outro partido, demonstra já de início certa fragilidade, por assim dizer, na corrida presidencial. Em que pese as forças negativas que atuaram contra suas legítimas pretensões, ela falhou ao planejar a abertura do novo partido em tempo hábil. Marina deveria não só saber, mas também contar com as dificuldades que enfrentou e buscar previamente artifícios para vencê-las. É fundamental na política, como em tudo na vida, saber a diferença entre a teoria e a prática. Para comandar um país, a estratégia e a organização são fundamentais, e Marina Silva começa com um "ponto negativo" nesse aspecto.
O autor, Fabio Galazzo, é advogado e colaborador de Opinião