A conexão do tráfico de entorpecentes que abastece São Paulo com drogas do Paraguai e da Bolívia transportadas pela região de Bauru, principalmente na rodovia Castelo Branco (SP-280), registra um número crescente de estrangeiros pegos na malha de fiscalização rodoviária.
Entre mulas – transportadores – ou negociadores do esquema de tráfico, destacam-se paraguaios e bolivianos presos nas últimas ocorrências de apreensão de entorpecentes na região de Bauru. Só de maio até a última terça-feira, cinco paraguaios e um boliviano foram presos com droga na Castelo.
Divulgação |
|
|
Mangueira d’água onde boliviano escondia entorpecentes apreendidos na terça-feira |
Na última terça-feira, o boliviano Rene Orelana Camacho, 19 anos, morador de Cochabamba, caiu na fiscalização rodoviária. Com ele, a Polícia Rodoviária localizou 7,242 quilos de crack e 1,236 quilo de cocaína. A droga estava disfarçada em uma mangueira d’água, localizada no compartimento de bagagens de um coletivo que faz a linha Corumbá (MS) - São Paulo. O veículo foi interceptado no pedágio de Itatinga (120 quilômetros de Bauru), no quilômetro 208 da Castelo.
O delegado da Polícia Federal em Bauru, Almir Papassoni, que fez a apreensão e o flagrante, explica que o envolvimento de estrangeiros é constante porque a droga, principalmente a cocaína, sai dos países vizinhos, como Bolívia e Paraguai. “Mesmo que indiretamente sempre acaba havendo a participação dos estrangeiros”, pontua.
Na última terça, foi o jovem boliviano que disse ao delegado da PF que receberia 1.500 dólares para transportar a droga da Bolívia até São Paulo. Papassoni relembra que recentemente fez a prisão e apreensão de paraguaios, também na praça de pedágio de Itatinga. O delegado da PF acrescenta que o próximo passo da investigação será vincular o fornecedor da droga com o comprador.
O delegado da PF aguardava o laudo para confirmar o tipo de droga apreendida. Pelas características, ele disse se tratar de cocaína que receberia adição de outros componentes químicos, o que aumenta o volume do entorpecente para maior rendimento na comercialização.
Camacho tentou ludibriar os policiais rodoviários alegando ter apenas uma mala com roupas. Na vistoria, os policiais constataram que em uma bagagem ele carregava roupas, enquanto a outra transportava um esguicho, material estranho para uma viagem de turismo e com peso suspeito. Na verificação, foram localizados os entorpecentes, sendo uma parte embrulhada em plástico transparente em forma de cápsulas e a maior porção acondicionada diretamente no interior da mangueira.
Camacho foi encaminhado à delegacia da Polícia Federal em Bauru e posteriormente transferido para o presídio de Itaí. Pelo crime de tráfico internacional de entorpecentes, ele poderá ser condenado a uma pena de detenção de 5 a 15 anos.
Conforme os policiais, o boliviano ainda portava um documento pessoal de outro homem usado para viajar, já que não conseguiu um visto de saída da Bolívia com sua documentação.
Viajando com o ‘inimigo’
O delegado da Polícia Federal em Bauru, Almir Papassoni, alerta os passageiros em relação a pessoas que pedem para que fiquem com embrulhos, pacotes ou mesmo deixem displicentemente em outras poltronas. Na aparência são volumes inofensivos, porém escondem drogas, como o esguicho do boliviano preso na fiscalização na última terça-feira.
Papassoni cita que fica difícil excluir eventuais envolvidos em caso de flagrante. No caso da apreensão da última terça-feira, o delegado comenta que o boliviano deixou a droga no bagageiro e tentou despistar insinuando que não era dele. Papassoni conta que os policiais rodoviários conseguiram distinguir a quem pertenciam as bagagens. “As pessoas têm que ficar atentas quando forem viajar”, salienta.
Paraguaios
Jovens, estrangeiros, carregando drogas como bagagem em coletivo de linha e remetidas do Paraguai ou da Bolívia engrossam o perfil de recentes prisões e apreensões na rodovia Castelo Branco, na região de Bauru.
No último dia 7, a Polícia Rodoviária localizou, na bagagem de um adolescente paraguaio, 15,5 quilos de maconha e 100 gramas de cocaína pura. O jovem de 16 anos viajava em um coletivo da linha Rio Brilhante (MS) - Belo Horizonte (MG). A abordagem ocorreu no quilômetro 198 da rodovia Castelo Branco, em Pardinho, próximo a Botucatu (100 quilômetros de Bauru).
As explicações do jovem não convenceram os policiais, que desconfiaram da pequena quantidade de roupas para uma visita demorada a uma tia em Belo Horizonte.
Segundo a polícia, o passageiro carregava somente duas ou três trocas de roupas e alegou que ficaria mais de 10 dias no Brasil. Ao vistoriar o bagageiro externo do ônibus, a polícia encontrou uma mala preta pertencente ao adolescente com 15 tijolos de maconha e a porção de cocaína.
Para disfarçar, a droga estava envolta em dois cobertores embebidos em perfume e com pó de café. Conforme os policiais do TOR, o adolescente confessou que levaria o entorpecente de Ponta Porã (MS) até Belo Horizonte e receberia R$ 3,5 mil. Acionado o Conselho Tutelar, o paraguaio foi apresentado no plantão policial de Botucatu e autuado em flagrante por ato infracional – tráfico de drogas e uso de documento falso.
No dia 8 de agosto, também no pedágio de Itatinga, os paraguaios Osmar Eulálio Galeano e Osmar Federico Ojeda Leiva, foram presos em flagrante por tráfico de drogas. Em suas malas foram encontrados 40 tabletes de maconha, pesando ao todo 50 quilos e escondidos em caixas de videogames. A droga foi localizada porque os policiais estranharam um coletivo parado às 4h40 no pedágio. Os paraguaios foram e encaminhados ao Plantão Policial e ficaram à disposição da Justiça.
No dia 13 de maio, as paraguaias Elena Gill Chavez, 20 anos, e Antônia Gill Chavez, de 21 anos, e um homem foram detidos com 50,7 quilos de maconha divididos em 45 tabletes e escondidos no interior do estofamento de um Fiat Uno, com placas de Ribas do Rio Pardo (MS). A prisão ocorreu no quilômetro 208 da Castelo, também em Itatinga. As paraguaias foram encaminhadas para a Penitenciária de Itaí e o homem, para o presídio de Cerqueira César.
