Regional

Polícia procura ladrões de banco

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Civil tenta identificar os criminosos que, na última terça-feira, sequestraram o gerente de uma agência bancária quando ele chegava com a esposa em casa, em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), e o obrigaram a retirar do cofre do banco R$ 240 mil em dinheiro.

O caso foi divulgado ontem com exclusividade pelo JC. Segundo a polícia, por volta das 20h, quatro homens portando revólveres e armas longas renderam o gerente e a mulher dele, ambos de 56 anos, quando eles entravam com o carro na garagem da residência onde moram, no Recanto Regina.

O casal foi mantido refém pela quadrilha durante a noite e parte da madrugada. Por volta das 4h, a mulher teve os olhos vendados e foi levada pelos assaltantes em um carro. Pela manhã, o gerente seguiu até a agência bancária onde trabalha, em Dois Córregos, e retirou uma quantia em dinheiro do cofre.

A reportagem apurou que os ladrões teriam pedido R$ 500 mil para soltar a esposa da vítima, mas ele teria conseguido retirar do banco R$ 240 mil. O valor foi entregue por ele aos criminosos em uma cidade da região de Jaú. Anteontem, no final da tarde, a esposa do gerente foi libertada sem ferimentos em Rio Claro.

Os acusados fugiram e não foram localizados. O caso está sendo apurado pela delegacia de Barra Bonita, em conjunto com a Delegacia de Investigações Gerais/Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DIG/Dise) de Jaú. Segundo o delegado da DIG/Dise Edmilson Bataier, o casal já foi ouvido. Ele, porém, não quis revelar detalhes dos depoimentos para não atrapalhar as investigações.


Quadrilha especializada

O delegado ressalta que o modo de agir dos criminosos mostra o elevado grau de organização da quadrilha. “É o tipo de crime que demanda um certo preparo e planejamento”, declara. “Tem que ter uma divisão de tarefas, várias pessoas têm de estar articuladas para poder chegar a um final. Pela natureza, são pessoas já escoladas no mundo do crime”.

Ele não descarta participação de moradores de Barra Bonita no crime. “Aliás, geralmente, as informações sempre estão relacionadas com alguém da cidade, como planejamento, rota de fuga, às vezes um local para a quadrilha ficar enquanto está sendo preparado isso (o crime), como chácaras”, explica.


Mudanças de ramo

A ocorrência registrada em Barra Bonita revela mudança recente na atuação das quadrilhas organizadas, que “deixaram de lado” os assaltos a bancos à mão armada para “investirem” em modalidades “menos arriscadas”, como a explosão de caixas eletrônicos e o sequestro de familiares de gerentes.

Somente neste ano, segundo levantamento extraoficial feito pelo JC, ocorreram mais de 20 casos de explosão de caixas eletrônicos na região. O sequestro de familiares de gerentes, embora menos comum, também foi registrado em algumas cidades.

Em outubro de 2010, a família do gerente de um banco de Ibitinga (90 quilômetros de Bauru) foi sequestrada e libertada somente 19 horas depois que o grupo levou o gerente até a agência para sacar cerca de R$ 400 mil.

Em março de 2011, quadrilha fortemente armada fez a família de um gerente de um banco refém por mais de 12 horas em Jaú (47 quilômetros de Bauru). O grupo, que libertou a esposa e a filha da vítima e fugiu levar nada, era de Sorocaba e acabou preso alguns meses depois.

Em agosto do mesmo ano, um grupo armado rendeu o gerente da mesma agência de Ibitinga que já havia sido alvo de bandidos em 2010, manteve a família dele refém por mais de 12 horas e só libertou as vítimas depois que ele entregou cerca de R$ 300 mil.

Em abril de 2012, bandidos sequestraram familiares da gerente e da subgerente de uma agência em Bofete, na região de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), e obrigaram as funcionárias a retirar R$ 210 mil do cofre. A PM foi avisada e trocou tiros com os criminosos, que fugiram depois de libertar as vítimas. Todo o dinheiro foi recuperado.

Em julho de 2012, a gerente de uma agência bancária de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru) foi rendida por ladrões e, depois de mais de 12 horas, obrigada a abrir o cofre do bando, de onde foram roubados aproximadamente R$ 300 mil. Um mês depois, a mulher e dois filhos do gerente de um banco de Ibitinga foram sequestrados, mas acabaram liberados sem que ele retirasse o dinheiro exigido pelos assaltantes do cofre da agência.

O caso mais recente ocorreu em maio deste ano, quando a gerente de uma agência bancária de Bofete, que já havia sido sequestrada em abril de 2012, foi vítima de tentativa de sequestro. A PM foi acionada pelo marido dela e os criminosos acabaram desistindo da ação.

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