Geral

O meio ambiente na película

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

Quando o cinema se propõe discutir a sociedade, a ficção e a realidade ganham contornos monumentais. É isso que o público bauruense poderá curtir durante os próximos dez dias na 2ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, incorporada à Semana da Comunicação 2013 (Secom) da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp em Bauru.

Durante duas semanas, Bauru terá uma maratona com exibição de 26 filmes entre longas e curtas, na telona a partir desta segunda, dia 21, até dia 31, quinta-feira. Há sessões especiais para crianças que os adultos irão se divertir.

A seleção de filmes trata de assuntos delicados para a sociedade de consumo com discussão de problemas comuns a qualquer cidade do mundo e situações específicas de comunidades. Porém, seus reflexos em conjunto afetam o planeta.

A mostra é organizada em sete temas com diversos filmes apresentando visões que formam um grande quebra-cabeça dos mais variados problemas e apontam caminhos a seguir. A temática abrange cidades, globalização, economia, água, contaminação, mobilização e povos e lugares.

Cada obra alerta para a degradação ambiental com o ser humano inserido como protagonista. Todos os filmes dialogam independentemente do país de origem, formando um quadro complexo para entender as atuais questões ambientais. Não importa se o olhar da obra é para uma questão econômica, como o fenômeno da globalização, tema da mostra abordado em um cardápio de múltiplos filmes.

“A Crise Global da Água”, produção de 2011, trata da água como um personagem. O diretor do Portal Envolverde, o jornalista Dal Marcondes, frisa, no texto no catálogo da mostra, que a Organização das Nações Unidas (ONU) acredita que, em 2030, cerca de metade da população do planeta enfrentará problemas relativos à falta de abastecimento de água de boa qualidade. Entrelaçando as questões do recurso hídrico, o filme esclarece o papel fundamental da água, expõe os equívocos do atual sistema de abastecimento e retrata comunidades que já lutam com seus efeitos colaterais.

Cidades

Amanhã, dia de abertura da mostra, a atração na tela é o filme “A cidade é uma só?”, na perspectiva temática de cidades. Produção brasileira de 2011, o filme é uma reflexão sobre os 50 anos de Brasília. Será exibido na Unesp, às 16h, seguido de debate. O ponto de vista é os arredores da capital federal, exemplo maior da arquitetura moderna e também território de exclusão territorial e social que parcela considerável da população do Distrito Federal e do entorno vivencia. O diretor geral da mostra, Chico Guariba, cita como ambiente do filme a Ceilândia, município onde os personagens vivem e presenciam as mudanças da cidade.

  • Serviço

A 2ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental será de 21 a 31 de outubro, com exibições no Sesc Bauru, avenida Aureliano Cardia, 6-71, Vila Cardia; e na Unesp, na avenida Luiz Edmundo Carrijo Coube, 14-01, campus de Bauru. Mais informações: www.ecofalante.org.br/mostra/  e no Facebook. A mostra é uma realização da ONG Ecofalante e do Sesc-SP.


Debate emoldura mostra

A 2ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental traz para a tela as problemáticas ambientais e propõe reflexão. Pontualmente, alguns filmes foram pinçados para estimular o debate. “Uma janela de discussão do que acontece no mundo”, define Chico Guariba, diretor geral da mostra.

A mostra será aberta nesta segunda-feira com uma mesa de debate após a exibição do longa-metragem “A cidade é uma só?”, na Unesp, a partir das 16h. Na sequência da exibição as temáticas do filme serão debatidas pelo professor de arquitetura da Unesp em Bauru, Adalberto da Silva Retto Junior, com mediação de Arlindo Rebechi Junior, professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp em Bauru.

Na terça-feira, “A crise global da água” estimula outra discussão. A projeção do filme será no Sesc Bauru, a partir das 19h. O debate será coordenado pelo biólogo Hudson Moggioni Munhoz, a ambientalista e jornalista Katarini Miguel e o ambientalista e advogado Kláudio Cóffani.

Na quarta-feira, a exibição e debate voltam para a Unesp, às 16h. O tema contaminação será o fio condutor da discussão com o filme “Petróleo: o grande vício”.  O debate será com o professor livre-docente pela Unesp Marcelo Bulhões e José Carlos Marques, professor da pós-graduação em Comunicação da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp em Bauru.

Ouro Negro

A sociedade de consumo é também uma sociedade autodestruidora ao poluir o meio ambiente com as mais variadas substâncias e interferências. O tema contaminação é ilustrado com uma seleção de filmes polêmicos, como “Petróleo: o grande vício”.

O filme desnuda a realidade do vazamento de petróleo no Golfo do México, com a explosão da plataforma de petróleo Deepwater Horizon, em abril de 2010. A produção franco-americana de 2011 expõe as causas do vazamento de óleo e o que realmente aconteceu depois que as câmeras de televisão deixaram a região.


Ecofalante

A Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental foi idealizada pelo pessoal da ONG Ecofalante, organização que há dez anos foi criada com a perspectiva da educação para o desenvolvimento sustentável. Chico Guariba, integrante da Ecofalante e diretor da mostra, relembra que, antes da fase de realização do evento, a ONG produzia documentários exibidos em TVs públicas e festivais de meio ambiente. Porém, o pessoal concluiu que os grandes filmes, alguns ganhadores do Oscar, não chegavam ao Brasil.

Ele conta que partiram para o nicho da exibição, porém com reflexão e diálogo com pessoas e instituições que pensam e agem com foco no meio ambiente. Chico comenta que a primeira edição da mostra foi em março do ano passado, exibida no circuito de salas de cinema de rua em São Paulo. Para a mostra foram selecionados 70 filmes, entre 1.000 produções nacionais e estrangeiras, curtas, longas e animações. A curadoria é do cineasta Francisco Cesar Filho (Chiquinho), presidente do Fórum Nacional dos Organizadores de Eventos Audiovisuais Brasileiros (Fórum dos Festivais) que deverá estar em Bauru hoje.

A mostra teve 4 mil espectadores em 2012. Neste ano, a estrutura cresceu e integrou a Capital, o Interior e o Litoral, passando por Bauru, com o conceito de itinerância, chegando até novembro a 17 municípios. Chico conta que a meta é atingir 20 mil pessoas. Simultaneamente, a comissão de seleção já avalia os filmes para a terceira edição, no ano que vem.


Semana de Comunicação 2013

A 2ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental abre a Semana da Comunicação 2013 (Secom) nesta segunda-feira. A Secom é um grande fórum de ideias e reflexões a respeito dos caminhos da comunicação no século XXI.

Os inscritos dispõem de um leque de 20 atividades práticas, entre oficinas, workshops e minicursos; dez palestras com convidados da área acadêmica e do mercado; apresentações culturais e apresentação de trabalhos e produtos na área de comunicação.  O conteúdo é formatado para abranger todas as áreas de conhecimento dos cursos de jornalismo, relações públicas e rádio e TV. No encerramento das atividades da Secom na sexta-feira, dia 25, ocorre a mesa-redonda “Vida pós Unesp - a experiência profissional de quem já esteve aqui”, às 19h.

 

  • Serviço

  • A Semana da Comunicação 2013 (Secom) começa nesta segunda-feira e vai até sexta-feira. Mais informações www.semacom.wix.com/secom2013, ou pelo Facebook: SeCom13. O evento é promovido pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp em Bauru, com o apoio do Jornal da Cidade e da Rádio 96 FM.

    Comentários

    Comentários