Após a crise instaurada no governo, provocada pelas denúncias envolvendo a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) e a aprovação de empreendimentos residenciais, Rodrigo Agostinho (PMDB) chamou uma reunião com todos os vereadores para discutir a reestruturação da pasta e a criação do Instituto de Planejamento. Tudo indica que, inicialmente, o órgão esteja vinculado ao Gabinete do prefeito.
A expectativa é de um projeto de lei com as alterações seja enviado à Câmara Municipal até a primeira quinzena de novembro. Sobre a Secretaria do Planejamento, algumas de suas atribuições devem ser transferidas para as pastas de Finanças e do Desenvolvimento Econômico.
Em relação ao instituto, o prefeito afirma que a ideia é desvinculá-lo da Seplan para que servidores de outras secretarias participem do órgão. “Obras e Meio Ambiente devem estar envolvidos. O planejamento da cidade, hoje, fica a reboque dos empreendimentos privados. Queremos que a prefeitura tome a frente disso”.
Segundo Rodrigo, o Instituto de Planejamento deve discutir grandes temas da cidade, como drenagem, mobilidade urbana, sistema viário, revitalização do Centro, revisão do zoneamento e o Plano Diretor de Bauru. “Não podemos deixar que essa estrutura entre na rotina de um ou de outro órgão”.
Líder do governo na Câmara, Renato Purini (PMDB) diz que o prefeito demonstrou muita vontade de mudar a realidade atual, mas observa que a discussão ainda se encontra em estágio embrionário.
Na sessão de ontem, Paulo Eduardo de Souza (PSB) lembrou que, na legislatura passada, apresentou projeto que autorizava o Poder Executivo a criar o Instituto de Planejamento.
Já Fernando Mantovani (PSDB) – único do grupo de oposição a participar da reunião na manhã de ontem – fez críticas ao empirismo do prefeito na tentativa de propor a reestruturação da Seplan.
“É importante ouvir os vereadores, mas não adianta tentar fazer com base no pitaco de cada um. É preciso que essas mudanças aconteçam de forma profissional, com consultorias que já desenvolveram modelos bem-sucedidos em cidades como Belo Horizonte e Curitiba. Não adianta querer inventar a roda”.
Físico
Presidente da Câmara Municipal, Sandro Bussola (PT) mostrou que os problemas na Seplan não se restringem a procedimentos. Ele exibiu imagens do prédio onde a pasta e as secretarias de Obras e Meio Ambiente estão instaladas, na avenida Nuno de Assis.
Inexistência de acessibilidade, pedaços de forro faltantes, fios à mostra, tomadas destampadas, móveis caindo aos pedaços, pilhas de processos espalhadas pelas mesas, ferro velho encostado e mapas rasgados são alguns dos exemplos do estado de abandono do local.
Além disso, o petista revelou que dois botijões de gás ficam no interior da cozinha do prédio, ao lado do fogão, colocando todos os servidores e munícipes em risco. “Como o órgão responsável pela fiscalização de posturas pode apresentar condições como essas?”, questionou.