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Gisberto Marcos Antunes: “Os curtumes de acabamento de couro estão na UTI” |
Sindicatos que representam o setor coureiro irão até Brasília para cobrar da presidente Dilma Rousseff (PT) a adoção de políticas visando à sobretaxação da exportação do couro. Eles alegam que uma gigante do segmento está monopolizando a produção do produto e vendendo para China e Itália. O resultado é o desabastecimento do mercado interno, com o consequente endividamento dos pequenos curtumes e fechamento de dezenas de postos de trabalho.
Entre as entidades que lutam para tentar reverter a crise no setor estão o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos e Curtimento de Couro de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) e Região de Botucatu, que representa mais de 22 municípios, e o Sindicato Patronal Coureiro de Bocaina. O presidente do sindicato, Gisberto Marcos Antunes, o Betinho, revela que a situação está ficando insustentável.
Segundo ele, uma grande empresa brasileira que produz couro wet blue – utilizado na confecção de vestuário – estaria usando recursos públicos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para comprar grupos concorrentes e, depois de algum tempo, fechar as portas dessas unidades, consolidando-se como uma das únicas no mercado nacional. “Está se criando no Brasil um monopólio do setor coureiro”, declara.
Antunes alega que essa mesma empresa, aproveitando o valor do dólar para exportação, estaria comercializando quase 100% do couro brasileiro para a China e Itália e desabastecendo o mercado interno, provocando o endividamento das pequenas fábricas. “Em consequência disso, os curtumes, fábricas de calçados e fábricas de artefatos de couro, bolsas e malas estão, em sua grande maioria, fechando as portas”, explica.
De acordo com o presidente do sindicato, o Brasil estaria ficando apenas com o ônus da cadeia produtiva do couro, ou seja, com as etapas que geram os poluentes e agridem o meio ambiente. “A parte bruta, que é o início do processo do curtimento do couro, o descarne e a cromatização estão sendo feitos aqui no Brasil. A parte que gera emprego, que é o acabamento do couro em si e a fabricação dos artefatos, está sendo feita na China”, conta.
Pedidos
O sindicalista revela que, quando os empresários do setor encontram couro da empresa para comprar, o produto acaba sendo de baixa qualidade e tendo um preço muito acima do que eles podem pagar e agregar no produto final. “Pedimos urgência no agendamento de uma reunião em Brasília, pois os curtumes de acabamento de couro estão na UTI pedindo socorro”, afirma. No encontro com a presidente, os representantes das entidades deverão apresentar dossiê com dados que mostram quantas rescisões foram feitas no ano passado e quantas ocorreram nos últimos doze meses.
Segundo ele, o “monopólio” no setor de produção de couro poderá acabar com milhões de postos de trabalho. “Não são só os milhares de empregos do setor de curtimento. Envolve o setor calçadista, de vestuário e de artefatos. É uma cadeia”, diz. “Seguimos na contramão da geração de empregos. Como bom exemplo, temos Rússia, Índia e Argentina, que encarecem o couro para exportação justamente para que o couro fique nos respectivos países e gere empregos”.
Além dos sindicatos de Bocaina, devem integrar a comissão que viajará ainda neste mês para Brasília os Sindicatos dos Trabalhadores Coureiros de Presidente Prudente e Região e Estados de Minas Gerais e Paraná, o Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo (SIMPI), a Federação dos Trabalhadores na Indústria Coureira do Brasil e o Sindicato Unificado dos Trabalhadores Sapateiros e Coureiros de São Paulo.
