Reprodução/TV Record |
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O vigilante de palha não tem sido competente em sua atribuição de garantir a segurança do Centro de Zoonoses |
No famoso conto infantil “O Mágico de Oz”, do escritor norte-americano Lyman Frank Baum, o homem de palha queria ganhar um cérebro. Em Bauru, ele somente quer que os furtos no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), no Jardim Redentor, parem. Parece piada, porém, o vigilante que cuida do local é um boneco de palha. Talvez é por isso que, em menos de duas semanas, o órgão foi furtado quatro vezes.
O furto mais recente ocorreu na madrugada de ontem. Ao contrário das outras três ações na Divisão de Vigilância Ambiental, onde funciona o CCZ, o crime foi mais elaborado e os animais foram poupados.
Os ladrões danificaram uma concertina e entraram no local. No estacionamento, quebraram o vidro de três veículos, levaram materiais de trabalho do interior das viaturas e uma bateria de caminhão. Até o combustível de uma Kombi foi retirado do tanque e furtado.
Além dos itens, os criminosos também levaram um automóvel Gol, pertencente à divisão. Horas depois, o veículo foi achado próximo ao Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp Bauru. O carro, que foi localizado por meio de um sistema de rastreamento, estava “depenado”, sem os pneus nem o estepe.
A onda de crimes no CCZ começou no último dia 9. Na ocasião, foram furtados uma vaca, nove bezerros, uma talha e uma bateria de caminhão. Seis dias depois, 12 outras cabeças foram subtraídas. A prefeitura argumentou que sete desses animais haviam sido recuperados.
O problema é que, em ação bastante semelhante, no dia 17, um novo registro policial foi feito apontando o furto de sete outras cabeças de gado.
“Não há qualquer indício de que sejam os mesmos criminosos. Por isso, os casos estão distribuídos para várias equipes investigarem. Elas trocam informações entre si”, destaca o delegado Roberval Antônio Fabbro, coordenador da Central de Polícia Judiciária (CPJ).
Ele, contudo, critica o que é mais do que nítido: a fragilidade do CCZ. “É complicado. O local não tem uma vigilância adequada. Isso é algo que tem que ser revisto”, completa.
Malavolta Jr. |
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Os ladrões quebraram os vidros de veículos e furtaram diversos objetos |
O muro
Em dois furtos da onda atual de crimes, os ladrões usaram o mesmo ponto para entrar no CCZ. Um buraco no muro. Por meio de nota, o município esclarece que já executou o reparo, porém, por conta da ação dos bandidos, aponta que a edificação foi comprometida e será preciso a reconstrução.
“Para tanto, foi necessária a abertura de processo de licitação para a contratação do serviço e o prazo para o início das obras está previsto para até o fim deste mês, com implantação de concertinas, o que também já existe no local e foi danificada na ação desta madrugada”.
Sem segurança
A segurança do órgão realmente precisa melhorar. O mais perfeito símbolo disso é o “homem” que faz a vigilância no local. Na guarita, um boneco de palha foi colocado para se passar por vigia.
O município afirma que foi realizado um estudo para a distribuição dos vigilantes – de carne e osso – pelos prédios públicos. Como o CCZ, antes dessa onda recente, não era alvo dos bandidos, o órgão não era contemplado. A estratégia usada foi mesmo o vigia de palha.
De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura, antes dos quatro furtos recentes, haviam sido registrados somente três casos em 2013.
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) destaca que, com as recentes ocorrências, colocará finalmente vigilantes no CCZ. “Será feito um remanejamento. Alguns locais têm mais de um vigilante. Iremos deslocar vigias do quadro do município para lá (CCZ)”, promete.
Além disso, a assessoria de comunicação informa que “está em andamento o estudo para instalação de sistema de monitoramento por câmera no local, o que provavelmente deve ser previsto para o Orçamento de 2014”. Atualmente, só há câmeras no setor administrativo do imóvel.
Divulgação |
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Uma das viaturas levada pelo CCZ foi achada “depenada” nas proximidades do IPMet |
Proprietários suspeitos?
Tanto a polícia quanto o prefeito não acreditam que os furtos recentes estejam ligados. Rodrigo Agostinho, porém, suspeita de que os três primeiros crimes dessa onda recente possam ter, pelo menos, a mesma motivação.
“Acreditamos que podem ser os proprietários dos animais que lá estavam apreendidos. Mas é a polícia quem investigará isso. Tivemos muitos furtos assim na década de 90”, expõe o chefe do Executivo.
A motivação pode ser um caminho para se livrar das taxas. Em caso de apreensão de animais de grande porte, eles são mantidos pelo prazo de cinco dias, tempo que garante ao proprietário a recuperação. Depois, são doados.
Entretanto, para que o dono possa recuperar o animal apreendido, são cobradas a taxa de apreensão (R$ 93,40) e diárias (R$ 46,71). O proprietário também fica sujeito a uma multa que varia entre R$ 114,50 a R$ 4.350,95.
Até grade de cadeia
O Departamento de Saúde Coletiva de Bauru aponta que, em várias ocorrências, foram levados os alimentos dos animais. De acordo com a diretora Heloísa Lombardi, no penúltimo furto, foram subtraídos dez fardos de feno.
A situação é tão preocupante que foi improvisada uma grade de cadeia para guardar os mantimentos. A proteção teria vindo de um dos presídios da cidade.
Arquivo/Malavolta Jr. |
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Heloísa Lombardi, do DSC de Bauru |
Furto de ontem prejudicou serviços
A diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) de Bauru, Heloísa Lombardi, aponta que, de todas as ocorrências recentes, a de ontem foi a que mais causou prejuízo. “Não só um prejuízo só financeiro, porém, foi algo que atrapalhou os próprios serviços”.
Ela aponta que, além da viatura depenada, outros três veículos da Divisão de Vigilância Ambiental precisaram ficar parados durante todo o dia.
“O carro levado, por exemplo, é usado para fiscalização da dengue e leishmaniose. Já o caminhão que levaram a bateria é usado para captura de animais. Então, é a população que sai prejudicada”, lamenta Lombardi.
A diretora concorda que o órgão é mesmo vulnerável. “Porém, até por questões geográficas mesmo. Passa um córrego aqui atrás da divisão e tem bastante mato em volta”.
Ela também demonstra preocupação com a questão. “Há ocorrências em que nossos funcionários precisam vir, por exemplo, à noite pegar a viatura. Então, é algo que deve ser pensado mesmo. Mas também tememos em relação aos próprios vigias. Eles não são armados. Fazem segurança de patrimônio apenas”, finaliza Heloísa Lombardi.



