Regional

Colhedores de laranja fazem greve

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Pedro Figueira/Grupo SCN

Trabalhadores colhedores de laranja decidiram paralisar as atividades em Espírito Santo

Cerca de 200 colhedores de laranja que trabalham em uma fazenda localizada em Espírito Santo do Turvo (75 quilômetros de Bauru) estão de braços cruzados desde anteontem. Eles reclamam do valor pago por cada caixa do produto e de descontos indevidos nos holerites. O caso já foi denunciado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que irá analisar quais providências serão tomadas.

Durante todo o dia, os trabalhadores ficaram reunidos em frente à sede da fazenda Santa Lúcia. Um deles, que pediu para ter o nome preservado, revela que a empresa estaria apontando faltas e licenças em dias em que os funcionários estavam presentes. “Eles usam aquele cartão de ponto. A pessoa passa o cartão de ponto e acaba vindo a falta depois, quando ela recebe o holerite”, diz.

Além disso, segundo o trabalhador, a empresa não estaria considerando a quantidade de caixas de laranja colhidas no mês para fazer o pagamento, alegando que parte do produto foi perdida. “A gente colhe 100 mil caixas, por exemplo, o mês inteiro, a equipe inteira. Eles falam que, na fábrica, vendeu só 95 mil. Eles acabam descontando dos trabalhadores sem avisar a gente”, conta.

O funcionário reclama também do preço pago por caixa de laranja colhida, que hoje é de R$ 0,39. “Eles fizeram uma tabela há algum tempo e falaram que iam pagar de R$ 0,40 até R$ 0,52, que iria variar conforme a quantidade de caixa por colhedor (tabela progressiva)”, explica. Porém, segundo ele, até agora, não houve nenhuma alteração nesse valor.

Outra reclamação dos trabalhadores diz respeito ao corte da cesta básica mensal para quem tiver qualquer número de falta ou licença. “Se tiver uma falta ou um atestado, a pessoa perde a cesta”, declara. “A empresa poderia tolerar pelo menos uma falta por pessoa”.

De acordo com o funcionário, a maioria dos colhedores vêm de outras regiões do Brasil e mora em alojamentos. “Eles dependem dessa cesta para poder sobreviver. Eles têm que pagar aluguel, água, força, comida. E se essa cesta não vai para a mão deles, faz muita falta”, ressalta.


Acordo

Ele frisa que a intenção dos trabalhadores é permanecer de braços cruzados até que a empresa se posicione e faça um acordo com eles. “O pessoal quer trabalhar e precisa porque a nossa região está com escassez de emprego. A gente não pode ficar desempregado, só que a gente quer que a empresa pague o preço justo da caixa”, salienta. “A gente não quer que eles paguem além daquilo que a região paga”.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Paulistânia, Abílio Penteado da Silva, foi até Espírito Santo do Turvo para conversar com o grupo. “Os holerites vêm com muitos descontos e o pessoal se revoltou porque a empresa tratou a caixinha a R$ 0,42 e está pagando R$ 0,39, marca falta para o pessoal inteiro quando o ônibus leva eles na fazenda para trabalhar”, revela.

Até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu localizar nenhum responsável da fazenda para falar sobre o assunto. O MPT informou que a denúncia já foi autuada e encaminhada para um dos procuradores para análise.

 

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