Auto Mercado

Troca de amortecedores

Marcos Serra Negra Camerini
| Tempo de leitura: 3 min

Desde 2006 mantemos religiosamente esta coluna toda quarta-feira neste suplemento Automercado do Jornal da cidade. Chegamos com esta matéria à edição de nº 400, o que muito me orgulha. O objetivo básico sempre foi o de levar informação técnica aos leigos, de forma simples e direta, sem melindres nem engenheirês em excesso. De vez em quando sai um artigo com conteúdo mais técnico para atingir aqueles que querem uma informação mais aprofundada, mas nosso objetivo básico sempre foi levar a informação àqueles que não a conhecem, para que possam entender melhor suas máquinas e reportar aos seus mecânicos de confiança o que ocorre com elas com mais precisão, sem ser explorados pelos maus profissionais.

Depois de tanto tempo, se pensam que já abordamos quase tudo de um carro ou moto, digo que ainda falta muita coisa. Isto por que toda semana ainda recebo perguntas de leitores que procuram algum esclarecimento, o que me esforço em responder a contento.

Na semana passada um amigo me perguntou novamente sobre amortecedores, pois nunca havia trocado os do seu carro, um Fiesta com quase 80.000 km originais. Como poderiam testar os amortecedores para ver se ainda estavam bons, sem ter que desmontá-los?

Há um bom tempo atrás, eu escrevi sobre isso lembrando que a vida do amortecedor depende mais do uso e do piso em que roda, do que da quilometragem propriamente dita.

Antigamente tinha uma propaganda da Cofap que insistia que o amortecedor precisava ser trocado a cada 30.000 km. Ela só valia mesmo pelo cachorrinho salsicha que estrelava a campanha, o resto era pura baboseira. Não considerava se o veículo rodava na terra ou em asfalto liso, se passava por buracos ou não, se fazia curvas em velocidade etc...

Hoje em dia os fabricantes sugerem a troca a cada 40.000 km ou 2 anos de uso, alegando que após este período seu desempenho cai sensivelmente e pode comprometer outros componentes da suspensão, como pivôs, molas e buchas. Mas toda doença apresenta alguns sintomas que podem ser diagnosticados precocemente. No caso de seu carro apresentar desgaste irregular nos pneus ou instabilidade em curvas, é um identificador de problemas no amortecedor, ou até mesmo de alinhamento ou de desbalanceamento da roda.

Existe um equipamento chamado Shock Tester que serve para avaliar os amortecedores sem ter que desmontá-los da suspensão. Ele avalia a resposta dinâmica que o amortecedor oferece a um impacto pré-determinado de teste ou a altas frequências de impacto. É um teste rápido e muito eficiente, mas ainda não são todas as oficinas que dispõem deste equipamento. O resultado deste teste é apresentado por um laudo percentual de eficiência. A recomendação de troca é quando se atingem 60% de eficiência na dianteira e 50% na traseira, fora isso ainda pode rodar mais um tempo.

Uma forma eficiente (para quem conhece) de verificar o estado dos amortecedores sem desmontar nada é pressionar a carroceria para baixo sobre cada roda e verificar a oscilação da suspensão. Amortecedores em ordem fazem com que o movimento cesse na segunda oscilação da mola; mais do que isso, o amortecedor está fraco. O procedimento correto para um bom diagnóstico é primeiramente levantar o veículo e avaliar o estado geral da suspensão. Verificar se as rodas dianteiras apresentam folgas excessivas, girando-as para esquerda e para direita; se ao girar as rodas, estas estão oscilando, o que pode mostrar um problema com os rolamentos. A seguir, se checam os amortecedores quanto a vazamentos (verifique se o corpo do amortecedor está manchado de óleo), onde a poeira se acumula mais.

Em seguida, olhe as buchas de fixação, usando uma barra do tipo pé de cabra, com ponta chata, para conferir folgas de assentamento. Se houver folgas, as buchas deverão ser substituídas. Por último, devem-se sacar os amortecedores e avaliar um por um. Se tiver marcas de vazamento ou haste empenada, troque sempre o par (direito e esquerdo); se as borrachas das buchas de fixação do amortecedor estiverem danificadas e o amortecedor ainda bom, troque apenas as borrachas.

Em breve teremos novidades que o JC está preparando para esta coluna. Será bem mais abrangente, porém com o mesmo objetivo, o de esclarecer as dúvidas mecânicas dos leitores.

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