Aceituno Jr. |
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Danielle Malmonge deixou o emprego de operadora de telemarketing para abrir um restaurante italiano e já planeja abrir a primeira filial |
Há apenas dez meses, Danielle Malmonge, 33 anos, deixou o emprego de operadora de telemarketing para abraçar um sonho: ter o próprio negócio. Numa trajetória bem sucedida, hoje ela já planeja abrir a primeira filial do seu restaurante italiano especializado em entregas em domicílio, que não para de crescer.
Danielle faz parte de um grupo que tem se tornado cada vez maior em Bauru: o das mulheres empreendedoras. Segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), atualmente, o público feminino já responde por 45% de todas as consultas mensais realizadas pela entidade. Há dez anos, o índice era de apenas 30%.
E o crescimento de empreendimentos formalizados por elas segue a mesma proporção, conforme garantem o Escritório Regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) e a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib). A percepção é de que, do mesmo modo com que, no passado, elas se lançaram no mercado de trabalho, agora, também começam a ocupar o mesmo espaço que os homens nos negócios.
Segundo Milton Debiasi, gerente do Escritório Regional do Sebrae em Bauru, grande parte deste fenômeno está relacionada ao crescimento do poder de consumo da população e, por consequência, da demanda por serviços específicos, tais como os de alimentação, estética e moda, áreas que são bastante visadas pelas mulheres que querem ter o próprio negócio.
“Muitas já atuavam na informalidade, fazendo bolos, salgados ou atuando em pequenos salões de beleza e, com o aumento da procura, conseguiram ampliar e formalizar seus negócios”, pontua.
Debiasi também atribui o maior interesse à criação da figura jurídica do Empreendedor Individual (EI), que garante isenção de tributos federais, entre outros benefícios, a empreendedores que faturam até R$ 60 mil por ano e possuem apenas um empregado contratado.
“Isso foi em 2006. Somente nos últimos três anos, 9 mil pessoas saíram da informalidade para registrar seus negócios. E as mulheres já estavam neste contexto”, observa.
Determinadas
Diferentemente de grande parcela das mulheres, a empresária Danielle Malmonge formalizou, logo de início, seu delivery de comida italiana, que fica no Parque Vista Alegre. Começou com a ajuda da mãe e do marido e com apenas uma opção de prato, o filé à parmegiana, que hoje é o carro-chefe do restaurante.
Dez meses depois, já com um maior número de pratos e com planos de expandir as opções de massas, ampliou a quantidade de funcionários e planeja abrir a primeira filial, em Valinhos.
“Minha mãe sempre foi uma excelente cozinheira e vimos que havia uma oportunidade de mercado. Neste formato, não há nada parecido em Bauru. E deu muito certo”, comenta.
De acordo com Danielle, a meta de crescimento para o primeiro ano já foi superada e ela só não está colhendo os louros financeiros da iniciativa porque não parou de investir na expansão do negócio. “Já fiz reforma, comprei novos equipamentos, porque sei que podemos crescer mais. E esta é minha meta”, pontua.
A determinação, organização e planejamento de Danielle, inclusive, são apontados pelo gerente do Sebrae como fundamentais para o sucesso do empreendimento. O fato de mulheres serem mais detalhistas e sensíveis também ajuda as mulheres a detectar, com maior facilidade, falhas e oportunidades de expansão de seus negócios.
“São características que aumentam as chances de sucesso. Além disso, elas são menos resistentes a mudanças e, portanto, mais arrojadas e naturalmente empreendedoras”, frisa.
Planejamento
Determinar o público-alvo para estabelecer a estratégia de marketing, delimitar a abrangência geográfica do negócio, identificar quem são os potenciais concorrentes e os fornecedores são os primeiros passos para ter um negócio bem sucedido, segundo orientações do gerente do Escritório Regional do Sebrae em Bauru, Milton Debiasi. “Além disso, é importante identificar a vocação que se tem para o empreendimento que se pretende abrir”, completa.
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João Rosan |
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Debiasi, do Sebrae: “Muitas já atuavam na informalidade e conseguiram a formalização” |
32 mil informais
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) e diretor regional da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), Paulo Roberto Martinello, destaca que o número de mulheres que formalizam seus negócios só tem crescido em Bauru. Mas, para ele, o receio para registrar o empreendimento ainda existe.
A estimativa é de que existam cerca de 32 mil trabalhadores informais em Bauru. “As pessoas ainda têm medo das obrigações que isso implica, dos gastos com tributos, que acabam sendo muito menores do que a maioria imagina”, salienta ele.
Por meio do Empreendedor Individual, empresas que faturam até R$ 60 mil por ano desembolsam a cota fixa de até R$ 39,90 mensais para quitar grande parte das contribuições tributárias. E as vantagens são inúmeras, conforme destaca Martinello. “Elas terão acesso a benefícios como auxílio-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria, consultas médicas, seguro-desemprego, entre outros”, elenca.
‘O importante é ter foco’, afirma nova empresária
Depois de 23 anos trabalhando como relações públicas em uma instituição, Simone Germano Segantim, 46 anos, foi demitida e precisou reorganizar a vida. Há um ano, abriu uma loja de roupas e acessórios para gestantes e bebês e, no mesmo espaço, montou um escritório onde organiza eventos diversos, como casamentos, inauguração de lojas e comemorações empresariais.
Ao associar seu talento como cerimonialista ao tema da loja que gerencia, descobriu um grande nicho de mercado. Em agosto, Simone realizou uma feira especializada em gestantes e bebês, que deverá se tornar um evento anual na cidade.
“Foi melhor do que eu esperava. Muitas empresas quiseram participar e, para o próximo ano, já tenho uma lista de interessados, desde lojas de roupas, móveis e bufês, até fotógrafos e outros profissionais especializados neste segmento”, comemora.
Embora as vendas na loja de roupa estejam indo bem, Simone acredita que, em breve, terá de fazer uma escolha, e a tendência é priorizar a organização de eventos. “Para ter sucesso, o importante é ter foco. E, como sou perfeccionista, sei que, num futuro breve, vou ter de fazer essa escolha”, finaliza.

