Cultura

Artes sem limites

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Malavolta Jr.

O músico Ralinho, do Raloz Jazz Quartet, tem história de superação de sua deficiência

Exibição de curtas com áudio-descrição, exposições, apresentação de dança, desfile de moda inclusiva e lançamento de livro fazem parte da 19ª Mostra de Arte Sem Barreiras, que tem início hoje, às 9h30. As entradas são gratuitas e toda a programação acontece no Teatro Municipal. O evento segue até 31 de outubro.

A edição deste ano abre espaço para o diálogo sobre inclusão cultural com a participação de artistas, estudiosos e do próprio deficiente, que sobe ao palco para mostrar todo o potencial artístico e o talento da pessoa com deficiência.

Segundo o secretário municipal de Cultura, Elson Reis, realizações como a Mostra abrem espaço para a participação de artistas nas mais diversas áreas e reforçam a discussão e a reflexão sobre a inclusão social. “É evidente que todos podem manifestar e desenvolver habilidades artísticas. O talento artístico pode aflorar em todo mundo, e este espaço surgiu exatamente para mostrar esses trabalhos para a comunidade”.

A palestra de abertura “Arte e Inclusão” será ministrada pela deputada estadual Célia Leão, que ficou paraplégica, em 1974, em um acidente de automóvel. Atualmente, ela preside a Frente Parlamentar de Apoio ao Turismo e, em sua longa trajetória política, já presidiu por cinco vezes consecutivas a Comissão de Cultura, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.


Jazz na veia

O show do Raloz Jazz Quartet, quarteto musical formado por Ralinho (bateria), Roger Pereira (teclado), Fernando Lima (baixo) e o convidado Nene Man (percussão), também faz parte da abertura. No repertório do grupo estão clássicos de jazz e outras tendências, como o bebop, jazz rock e samba jazz, com composições de Cole Porter, Miles Davis, Dizzie Gillespie, Tom Jobim, Chico Buarque, entre outros.

O quarteto é liderado pelo baterista Ralinho, cuja história de superação se relaciona diretamente com o evento. Ele amputou a perna esquerda (com a qual move o pedal de chimbau da bateria) e teve a ideia inovadora de criar uma peça adaptada que sai do pedal e vai até a axila, como uma espécie de muleta e, após muito treino, conseguiu dominar a técnica e progredir em sua carreira com sucesso.

Espetáculos teatrais, de dança e musicais também fazem parte da agenda e serão apresentados pelas entidades Sorri/Bauru, Apaes de Bauru, Jaú e Lençóis Paulista, Apiece, Adefilp, Projeto Guri Polo Bauru, Cia D. A. Corpore e Lar Escola para Cegos Santa Luzia. A mostra conta com apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comude), Secretaria Municipal de Educação, Câmara Municipal de Bauru, Grupo Pão de Açúcar, Jornal da Cidade, Locamed, Jô Calçados, Pink Biju, Tanger, Fraqtal Marketing Estratégico, Ótica Snell, Caçambaria, Lauviah Noivas & Festas, Jaque Bertoni e Black Mamba Ateliê.

  • Serviço

O Teatro Municipal fica na Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3232-9493


Desfile e curtas

Uma das novidades da Mostra de Arte Sem Barreiras deste ano é o desfile de moda inclusiva, sob a coordenação de Drika Valério. Ela conquistou o primeiro lugar no “4º Concurso de Moda Inclusiva”, promovido em 2012 pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Participam do evento 20 modelos, com e sem deficiência, entre eles usuários da Sorri Bauru e a Miss Melhor Idade de Bauru.

Também serão destaques as exibições de curtas com áudio-descrição e apresentação de livros em braille e áudio-livros do acervo da Biblioteca Municipal Rodrigues de Abreu. Os filmes apresentados são: “A casa é sua”, de Arnaldo Antunes, “Pra não esquecer”, de Fernanda Takai e Andy Summers, e “Bola de Meia, Bola de Gude”, de Milton Nascimento.


O surgimento

O “Arte sem Barreiras” surgiu, originalmente, com o nome “Very Special Arts”, na cidade de Washington, em 1974, com o objetivo de incentivar a capacidade artística e criativa de pessoas com deficiência. Em 1984, com apoio da Unesco, foi realizada a 1ª Conferência Internacional com os núcleos já existentes em várias partes do mundo e, em 1988, o programa chegou ao Brasil sob o título de Very Special Arts do Brasil.

Na época, o contexto nacional era de rejeição, incompreensão e ausência de sensibilidade e de políticas públicas para as questões que envolviam as pessoas com deficiência. Hoje existem núcleos do Programa Arte sem Barreiras nas capitais e em cidades do interior do Estado, a exemplo de Bauru, que realiza a mostra, ininterruptamente, desde 1995. O psicoterapeuta Dorival Vieira é o coordenador do Núcleo Bauru do Programa de Arte Sem Barreiras – Very Special Arts do Brasil.

A Mostra tem por objetivo valorizar a produção artística e promover a inclusão por meio da arte das pessoas com deficiência, incentivando a discussão e a formulação de políticas públicas que respeitem a diversidade e promovam a inclusão.


Confira a programação do evento

HOJE

9h30: Solenidade de abertura com apresentação do grupo Raloz Jazz Quartet e palestra “Arte e Inclusão”, com a deputada estadual Célia Leão

AMANHÃ

9h30: Exibição de curtas com áudio-descrição e apresentação de livros em braille e áudio-livros

14h30: Palestra “Acessibilidade Cultural: áudio-descrição e legendas para surdos e ensurdecidos”, com Lucinéa Marcelino Villela e exibição de curtas com áudio-descrição e apresentação de livros em braille e áudio-livros

26/10 - SÁBADO

20h: Desfile de moda inclusiva “Somos Todos Nós”, sob coordenação de Drika Valério

29/10 - TERÇA

10h: “O mundo está aqui. Somos a diversidade!”, espetáculo artístico da Sorri/Bauru

14h30: Exibição de curtas com áudio-descrição e apresentação de livros em braile e áudio-livros

30/10 - QUARTA

9h30: Exibição de curtas com áudio-descrição e apresentação de livros em braile e áudio-livros

14h30: Apresentação artística das Apaes de Bauru, Jaú e Lençóis Paulista, coral e violinista Lucas, do Lar Escola para Cegos Santa Luzia, Projeto Guri /Bauru, Apiece, dançarina Mariza Mello, Cia. Corpore-Dança Contemporânea Inclusiva e Adefilp

31/10 - QUINTA 

20h: Lançamento do livro “No palco: com os deficientes visuais”, de Rosa Riccó

ATÉ 31/10

Exposição de peças da moda inclusiva “Somos Todos Nós”, por Drika Valério, na Galeria Municipal Angelina Waldemarin Messenberg


Resumos de algumas apresentações

O Mundo Está Aqui. Somos a Diversidade!

Apresentado pela Sorri/ Bauru, espetáculo homenageia Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão, Portugal e Brasil.

Magia

Espetáculo de dança feito pelo Lar Escola Santa Luzia para Cegos conta história de camponesa e um príncipe enfeitiçado. “Depois das trevas vem a luz” é a lição passada.

A água e o fogo

Apresentação de dança do ventre fan veil da Apae Bauru mostra a leveza dos movimentos que proporcionam um clima natural por meio da dança com véu leque.

Cavalo Marinho

Dança é bastante animada com o ritmo marcado pelo sapateado, lembrando o galope dos cavalos.

Maculelê

É uma forma de dança que simula luta tribal usando como arma dois bastões com os quais os participantes desferem golpes no ritmo da música.

 

Sticky Dough (Bam Bam)

Coreografia mistura o dubstep, uma vertente da house music, o pop e uma pitada do samba.

Meu Brasil Brasileiro

Dança tem características de um musical e inspiração de Carmem Miranda.

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