Tribuna do Leitor

Triste/alegre, feio/bonito Parque Vitória Régia


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É exatamente essa a minha definição: alegre e bonito durante a semana; triste e feio nos finais de semana e nos feriados, quando recebo festas, shows, apresentações etc., que deveriam ser festivos, de lazer, de confraternização e de passeios de famílias, de casais, e mesmo sozinho, para apreciar e desfrutar de minhas belezas. Mas não, nessa hora eu me entristeço ao me defrontar com cenas deprimentes, de falta de civilidade, de educação e de higiene; nessa hora eu coro de vergonha ao presenciar práticas ofensivas e imorais; nessa hora, eu me entristeço por receber em meu seio dejetos, lixo e sujeira de toda a sorte. Aí, eu assisto, completamente indefeso, a minha degradação: eu me definho e perco o brilho, o garbo e o orgulho de ser o "cartão-postal" de nossa querida cidade.

Na minha tristeza, eu me pergunto: de quem é a culpa? De todos nós, que nada fazemos a respeito? Do Poder Executivo, que permite a repetição indefinida dessas mazelas? Da polícia, que quando chamada a tomar providências responde: "fazer o quê né?".

Ah! Mas eu também me alegro. De vez em quando recebo um lindo e higiênico banho para tirar a sujeira, me varrem, me pintam, e me arrumam. É uma pena que tudo isso é difícil de acontecer. Ao que parece, eu sou só um cartão postal e não sou, vivo em constante dois momentos: feliz/infeliz, só que este é bem maior do que aquele. Outra coisa: Eu não posso me esquecer dos que convivem comigo: do hospital da USP, do Cetrinho, das residências e das lojas comerciais, serviços à minha volta, da própria avenida Nações Unidas, que debruça um olhar de admiração e de tristeza sobre mim, de todos os que se alegram e choram comigo, e que só querem a minha felicidade, por derradeiro. Ainda bem!

São só uns poucos os que me agridem, como os mascarados das manifestações de São Paulo e do Rio de Janeiro, mas que causam um mal incomensurável. Aahh! E o barulho das bandas, então? É ensurdecedor. Faz tremer e vibrar a mim e a todas as minhas adjacências. Deve chegar a 150 decibéis! Por tudo isso, exorto as autoridades civis e militares a olharem por mim, a tomarem conta das lindas coisas que ofereço. Eu sou o Parque Vitória Régia, não posso ficar calado por tantas agressões. Farei novas reclamações e apelos, por certo.


Winson Barbara

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