Há algum tempo, o Jornal da Cidade publicou o fato de alguns países usarem uma espécie de tapa em alunos para evitar que eles utilizassem a cola, apontamento usado ocultamente pelo estudante no decorrer da prova escrita. Sempre soube que tapa é um petrecho de couro usado em equinos e muares na tração de carrinhos e charretes, evitando-se refugos dos animais.
Deplorável! Sabe-se: a educação não é mera imitação da vida; educação é a própria vida com todas as suas potencialidades. Há, a meu ver, mais de meio século de distância entre o potencial educativo e o fato narrado pelo jornal. Aluno meu jamais usou cola. Não era preciso. As provas, todas elas, eram feitas com consulta. Todo o conteúdo programático encontrava-se nos cadernos do aluno. Sobre a mesa do professor, cerca de 25 pequenos dicionários e gramáticas, à disposição do aluno. Há anos, aluno do ensino médio aproxima-se do professor e entrega a prova em branco.
- A prova está bem elaborada, mas não consigo "pensar"; não estou muito bem. Irei pedir dispensa das aulas.
Este aluno, meu aluno durante longos sete anos, é hoje um dos gerentes do Banco do Brasil em Bauru. Não sei se ele se lembra do fato. Eu não me esqueci...
É fácil: se o médico consulta seus livros, se o advogado não se separa de Clóvis Bevilacqua e Pontes de Miranda, se o dentista consulta seus livros, se o professor não se separa de uma série de livros, por que o estudante não aprende, desde cedo, a consultar livros, buscando soluções para suas dúvidas?
Como professor, sempre privilegiei a "formação" do aluno. Lembrando sempre: "a criança chora; o adolescente grita; o adulto argumenta." Conte até dez, até 30, a partir daí, exponha seu pensamento, apresente suas dúvidas. E toda atividade sem sequer pensar em colocar tapas nos olhos dos alunos. Por isso, só por isso, o respeito despediu-se das salas de aula. Uma pena! Que pena!!!
Álvaro Baptista Pontes