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Fernando Monti, secretário da Saúde, debateu com integrantes do Bauru Acordou |
Longos tempos de espera no Pronto-Socorro Central (PSC), pacientes esperando por dias e dias a liberação de leitos hospitalares, 586 mortes em menos de cinco anos por faltas de vagas e quartos e macas vazios no Hospital de Base. Em audiência pública realizada na noite de ontem, na Câmara Municipal, o grupo Bauru Acordou exibiu em vídeo os graves problemas no sistema de Saúde na cidade, que se arrastam por muitos anos.
Os manifestantes cobraram proatividade da prefeitura e pediram para que o secretário Fernando Monti deixasse seu cargo, ocupado desde 2009.
Sem a participação de representantes do Estado, responsável legal pela retaguarda hospitalar, e da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que gerencia as unidades de atenção secundária instaladas no município, a todos os questionamentos Monti respondeu que os problemas apontados não eram de competência do município.
O secretário enalteceu a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário e enfatizou que o decreto de calamidade pública na Assistência Hospitalar foi o reconhecimento da gravidade da situação enfrentada entre julho e agosto deste ano, quando o número de pacientes que esperavam por leitos nos corredores do Pronto-Socorro chegou a 65. “Hoje estamos muito melhor”.
Membros do Bauru Acordou também pontuaram que o contrato entre Estado e Famesp prevê que a organização social seja responsabilizada por problemas e cobraram de Monti postura enérgica para fazer cumprir o que estabelece o pacto. O secretário respondeu que não é parte do contrato.
Acusados de omissão, os vereadores também reagiram. Paulo Eduardo de Souza (PSB), presidente da Comissão de Saúde do Legislativo, apontou que o grupo de vereadores colaborou com o Ministério Público Federal, que instaurou inquérito para apurar as responsabilidades sobre os óbitos por falta de internação. Ele pediu ainda a mobilização do grupo para que as investigações não aconteçam por amostragem.
Fabiano Mariano (PDT) lembrou que a aprovação de lei de sua autoria escancarou o tempo de espera de pacientes nos corredores do Pronto-Socorro Central (PSC), por meio da publicidade dos casos no Diário Oficial de Bauru (DOB).
Já Roque Ferreira (PT) lembrou as denúncias levadas pela Comissão de Direitos Humanos à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Ainda assim, ao final da audiência, Igor Fernandes, do Bauru Acordou, disse que a luta dos vereadores foi em vão. A reunião contou ainda com a participação dos parlamentares Sandro Bussola (PT), Roberval Sakai (PP) e Carlão do Gás (PR).
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) se juntou às reivindicações do Bauru Acordou na audiência da noite de ontem.
Ânimos
Desta vez, os ânimos da audiência pública foram mais contidos. Em menor número de membros, o Bauru Acordou apostou na interação por placas durante os discursos de Fernando Monti. Os dizeres variavam: “Proposta”, “Blá, blá, blá” e “Mentira” eram alguns deles.
A temperatura subiu apenas no momento em que o grupo exibiu imagens da ocupação ao prédio da Secretaria Municipal de Saúde e contestou a acusação de agressão contra uma servidora por parte de um de seus membros. Neste momento, grande grupo de funcionários que compareceu à Câmara em apoio a Monti vaiou os jovens manifestantes.
