Saúde

Esclerose múltipla: falta de medicamentos prejudica o tratamento


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Segundo dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), 50% dos pacientes com doenças crônicas em países desenvolvidos não aderem ao tratamento. Imagina-se que em países em desenvolvimento, como o Brasil, este percentual seja maior ainda.

A patologia é uma das doenças com maior percentual de adesão irregular à medicação, levando a uma piora na qualidade de vida do paciente, além da elevação nos custos do sistema de saúde. Os atuais medicamentos fornecidos nas farmácias de alto custo são uma das razões para essa situação, todos são injetáveis, os chamados imunomoduladores.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune - ou seja, se manifesta quando o organismo confunde células saudáveis do sistema nervoso central com intrusas, e as "ataca" provocando lesões cerebrais. A EM atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo e, ao contrário do que muitos ainda acreditam, os pacientes são geralmente jovens, em especial mulheres de 20 a 40 anos.

Por ser uma doença crônica e imprevisível, o uso de medicação regular sem falhas é fundamental no sucesso do tratamento.

Há aproximadamente dois anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o fingolimode, primeiro medicamento administrado via oral e cuja proteção contra surtos da doença é duas vezes maior em comparação com as medicações disponíveis.


Movimentos

Desde então, diversas associações de pacientes, como o Movimento dos Pacientes com Esclerose Múltipla (Mopem) vêm solicitando a liberação deste tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém os dois últimos pedidos de inclusão foram indeferidos pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), órgão do governo responsável pela inclusão de novos tratamentos e medicamentos no sistema público de saúde.

Atualmente os pacientes têm conseguido o fingolimode através de alguns convênios ou com ações na justiça, mediante um relatório bem consistente de seu médico assistente. Estas ações têm levado em média trinta dias para a liberação do medicamento.

Por outro lado, o volume de pesquisa em Esclerose Múltipla é tão grande que já estão disponíveis no exterior mais duas substâncias para uso via oral pelos pacientes. Entretanto, elas ainda não foram aprovadas no Brasil.

Os pacientes que não aderem a um tratamento adequado tendem a evoluir de forma mais rápida para um estágio degenerativo da doença, que pode levar à perda da capacidade motora e ao prejuízo das funções cognitivas, entre outros problemas.

Por essa razão, é crucial que medicamentos mais modernos sejam incorporados ao SUS para aumentar a adesão dos pacientes, prevenindo incapacidades, com impacto direto em sua qualidade de vida. Independente da quantidade de pessoas com a doença, o governo não pode negar o acesso gratuito a esses medicamentos.

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