“Minha felicidade não tem tamanho.” Disparou a cabeleireira Maria Elizabete dos Santos, 53 anos, após dividir sua emoção testemunhando ao microfone para mais de 15 mil pessoas que como ela aguardavam a leitura dos nomes sorteados ontem para o Minha Casa Minha Vida.
Douglas Reis |
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Maria Elizabete dos Santos disparou um pique de 80 metros ao saber que foi contemplada |
Pouco depois das 9h começou a maratona de sorteio finalizada às 15h45, quase sete horas depois, no estádio Alfredo de Castilho. O calor não dispersou as famílias esperançosas e angustiadas e que até o final da manhã chegavam para disputar 1.520 unidades de um total de 4.300 apartamentos na segunda fase do programa habitacional do governo federal.
Ao todo foram sorteados 3.040 inscritos, sendo 1.520 titulares e 1.520 suplentes. A lista com os nomes dos contemplados – titulares e suplentes – será publicada no Diário Oficial do Município (DOM) que circula na quinta-feira e repetida na edição de sábado do DOM. A partir de quinta-feira os inscritos também podem conferir a lista completa no site da Prefeitura de Bauru www.bauru.sp.gov.br.
Segundo a coordenação do MCMV, o prazo para os sorteados de ontem para o residencial Três Américas II entregarem a documentação vai de 4 a 12 de novembro. Sorteados para o Águas da Grama, de 18 a 26 de novembro. E contemplados com unidades no Residencial Santana devem apresentar documentos de 27 de novembro a 5 de dezembro.
Nessa segunda etapa serão entregues na ordem os residenciais Águas da Grama, na Vila Nova Esperança; Santana, no Jardim Chapadão e Três Américas II, no Núcleo Edson Francisco da Silva-Bauru XVI. A coordenadora do Grupo Multissetorial do Minha Casa Minha Vida a vice-prefeita, Estela Almagro (PT), projeta um novo sorteio ainda nesta segunda fase do programa próximo do Natal e um terceiro certame ainda no primeiro trimestre de 2014.
Maria
O nome de Maria Elizabete dos Santos ecoava no sistema de som e já se percebia na arquibancada uma movimentação. Ela desceu para o alambrado do Alfredão e disparou em um pique de cerca de 80 metros em direção ao palanque. A emoção era grande quando subiu a rampa para ser aplaudida pelo público após deixar uma mensagem de otimismo a todos os inscritos. Mãe de seis filhos, Carolina, 19 anos, Camila, 20, Cassandra 17, Carla, 25, Carlos, 15 e Welton 30 anos, ela é mãe e pai de sua família. “Criei todos sozinha. Já tenho filho na faculdade”, se orgulha. O aniversário da filha Cassandra foi ontem e Carolina completou 19 anos na última quinta-feira. “É muito presente”, brinca Maria.
Maria tinha o sonho de escapar do aluguel. Atualmente, paga R$ 300,00 ao mês em moradia no Jardim Solange, mas já pagou R$ 600,00. Maria trabalha como diarista para montar o seu salão de beleza. Ela conta que é cabeleireira e maquiadora. “Vou virar empresária”, brinca.
Maria conta que se inscreveu em 16 de maio último para concorrer a um apartamento. Seu pensamento desde então foi um só: “Tenho que ser perseverante e otimista.”
Agora diz que já está pronta para mudar para o apê na Vila Nova Esperança. “É só alegria”, completa.
Com o mesmo pensamento o casal Ivan Napa Jr., 38 anos, e Ana Lúcia Fernandes Napa, 33 anos, chegou ao Alfredão pouco depois das 11h. O casal já tem um filho e já encomendou mais um: Ana está grávida de 2 meses. A família reside na casa da mãe de Ana. O casal já participou de outros sorteios mas não foi contemplado. “Estamos crendo no nosso milagre que é pegar a chave da casa própria”, define Ana.
Malandragem?
Denúncias de que há contemplados com apartamentos do programa habitacional MCMV alugando, vendendo ou unidades desocupadas são avaliadas caso a caso, com possibilidade de retomada do imóvel que estiver em situação irregular. A coordenadora do Grupo Multissetorial do Minha Casa Minha Vida a vice-prefeita, Estela Almagro (PT), faz uma reflexão de que há o mau governante e há também o mau cidadão. “A pessoa que concorreu, se ela sabe que não precisa, não deveria concorrer. Ela sabe que tinha que ficar no imóvel. Quem sabe tem que denunciar”, pontua.
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) frisou que as denúncias são apuradas pela equipe de assistentes sociais do Projeto Técnico Social em cada um dos residenciais. Conforme o prefeito, comprovando-se a irregularidade, o imóvel volta para sorteio. “Há casos em que a família não mudou talvez por alguma situação”, pondera. O prefeito avisa que aquelas situações da pessoa comercializando ou locando o imóvel, o titular perderá o direito de permanecer no programa, mesma situação para quem adquiriu ou locou apartamento. “A questão da renda chegamos a detectar algumas pessoas que tentaram fraudar o sistema. Omitiram informação. Isso acontece em alguns casos em que a pessoa trabalha, mas não em um emprego formal. Na hora que o sistema vai cruzar não detecta que essa pessoa está trabalhando porque ela não tem registro. É muito complicado”, relata Rodrigo.
Almagro comenta que, a partir do dia 4 de novembro, quando começa o período de apresentação de documentação para os sorteados de ontem, a equipe de MCMV passará a interagir junto com o trabalho técnico-social e garantir acompanhamento do primeiro ano de ocupação dos imóveis. Um folder distribuído ontem já anuncia a sede do Programa MCMV, na rua Agenor Meire, 6-28, em horário comercial para sanar dúvidas e receber denúncias, inclusive garantido o anonimato da pessoa que denunciar supostas irregularidades.