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Companheiro Isaias Daibem

Antonio Pedroso Junior
| Tempo de leitura: 2 min

A ética e a coerência ideológica sofreram grande perda com o falecimento do professor Isaias Daibem, neste 24 de outubro. A solidariedade e o humanismo de Isaias são sementes que devem ser preservadas, na esperança de que germinem e ofereçam frutos de qualidade para nossa população. Socialista convicto, católico praticante, buscou, ao longo de seus 73 anos neste plano espiritual, praticar o bem, diuturnamente. Raras vezes vimos o companheiro desanimado ou querendo abandonar as bandeiras que defendia com paixão extremada. Dono de um senso de humor refinado, esteve sempre presente nos principais movimentos de nossa cidade, desde o início da década de 60, quando participava da Juventude Estudantil Católica (JEC) e na extinta Federação Bauruense Estudantina (FBE), que congregava os estudantes secundaristas da cidade.

Enquanto ferroviário, participava das atividades da Associação Profissional dos Ferroviários da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. Pai de família amoroso e preocupado com o presente e o futuro de seus filhos, não deixava de visitar periodicamente irmãs, primos, tios, em busca de um estreitamento cada vez maior.

Da esposa Ana Maria falava com amor que contagiava seus interlocutores. Adepto do diálogo, conseguia conversar com pessoas de todos os matizes ideológicos e nunca o vimos criticar de forma áspera quem quer que seja, demonstrando ser um democrata na acepção do termo, mesmo não obtendo a mesma contrapartida de seus adversários no campo político. Poucos sabem, Isaias, durante os hoje romanticamente chamados "anos de chumbo", chegou a ser proibido de lecionar, por ser considerado elemento subversivo pelos agentes da repressão política. Nos últimos sete anos, voltamos a conviver quase que diariamente, e todas as vezes que ia par a Bauru, encontrava-me com Isaias.

O escritório do companheiro e amigo Joaquim Mendonça era o nosso QG, onde discutíamos política, a conjuntura, saboreávamos um suco de cevada com Isaias, que era o nosso maior incentivador na busca de resgatar a verdade histórica dos movimentos populares de nossa cidade. A partir de agora, quando nos reunirmos para um bate papo ou mesmo um aperitivo, a mesa do amigo Joaquim estará desfalcada de forma perene do bom senso e do humor refinado do companheiro Isaias, que fará falta não somente ali, mas em todos os setores em que participava. Tenha a certeza, caro e estimado, que seus companheiros e familiares continuarão a defender suas bandeiras, não as deixando atiradas ao chão. PS: Por ironia do destino, foi sepultado em 25 de outubro, data do assassinato de outro grande humanista, Vlado Herzog.

O autor, Antonio Pedroso Junior, o Chinelo, era amigo e companheiro de lutas políticas de Isaias Daibem

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