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O humano mais bacana de Nova York


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Em uma cidade onde é quase um crime olhar no olho de alguém, há um ser humano fazendo com que os 8 milhões de nova-iorquinos observem mais uns aos outros. Trata-se de Brandon Stanton, de 29 anos, um fotógrafo autodidata americano, nascido em Atlanta, e que prova o que o lendário escritor E. B. White já registrou em 1948: "Os melhores nova-iorquinos são aqueles que vieram de fora e fazem desta cidade seu destino final".

Em 2010, Brandon comprou uma câmera enquanto ainda trabalhava no mercado de ações, em Chicago. Seis meses mais tarde, ele perdeu o emprego. E veio para Nova York, onde passou a fotografar todos os dias, incansavelmente, a singularidade dos humanos que habitam a cidade. Ele gosta de contar que quando começou o projeto, sua mãe torcia o nariz dizendo que ele não trabalhava; apenas fotografava pessoas e postava no Facebook.

Talvez hoje sua mãe esteja um pouco mais orgulhosa. Desde então, ele já abordou, com sua simpatia e delicadeza, mais de dez mil pessoas nas ruas, metrôs, parques ou estações de trem. As fotos são publicadas diariamente em seu blog Humans of New York (humansofnewyork.com) e no Tumblr. O fundador do Tumblr confessou que esta é a sua página favorita.

Quatrocentas destes portraits chegaram no último dia 19 às livrarias dos Estados Unidos reunidas no em um livro de capa dura de mesmo nome (St. Martin?s Press). Em pré-venda, o livro já caminhava para a lista dos mais vendidos. Com quase dois milhões de seguidores no Facebook, as fotos são compartilhadas numa progressão geométrica sem paralelos.
Morador do Brooklyn, Brandon capta os humanos com respeito e democracia, sem revelar sua identidade, apenas citando as melhores frases da conversa. Uma das perguntas que ele costuma fazer aos fotografados é: "O que você diria a um grande grupo de pessoas?"


Inusitados

As respostas vão desde profundas lições de vida a respostas como "eu não gosto de um grande grupo de pessoas". Tem o pai que anda ao lado da filha, lendo um livro pra ela. O namorado a caminho de casa, segurando flores, dizendo que "ninguém pode ser tão feliz quanto ele numa simples terça-feira". O mendigo barbudo afirmando que seria um ótimo modelo publicitário.

O trabalhador civil, sentado na escadaria do Grand Central Terminal contando a história de sua mãe, que ficou viúva cedo. E quando Stanton capta uma criança vestida de uma forma inusitada, a inclui na categoria "Microfashion of the Day".

Uma das fotos, inclusive, foi de duas irmãs, Helena e Julia D?Alessandro, de 10 e 8 anos, filhas de paulistanos que moram em Manhattan. "Minhas filhas estavam com a babá no Central Park, quando foram avistadas pelo Brandon", conta a mãe Beatriz Canepa D?Alessandro. "Quando a babá o colocou no telefone para que ele pedisse a minha permissão, não pude recusar."

Ninguém é pago, e nem assina nenhum documento liberando a imagem A foto foi publicada no dia 6 de setembro passado com a legenda "Ela me ajuda quando me sinto mal", dita por uma das meninas. Até sábado, a foto tinha sido curtida por mais de 34 mil pessoas, compartilhada por mais de 1,150 mil e comentada por mais alguns milhares só no Facebook.

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