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Lugar de estudante é na natureza!


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Lugar de criança é na escola? Sim, e também nas ruas, nos museus e na natureza: é nesses lugares que os pequenos observam, cara a cara, o que aprendem em sala de aula e, mais do que isso, desenvolvem uma visão própria do mundo. Isso significa que, além de ser muito legal, as viagens com a turma da escola são grandes oportunidades de aprender coisas novas!

"O estudo do meio permite que a criança entre em contato com certas dimensões da realidade que não estão nos livros", aponta Nídia Nacib Pontuschka, professora da Universidade de São Paulo (USP-SP).

Subir um morro, assim, pode ser uma maneira bem concreta de entender o relevo, por exemplo. "No local, elas buscam significado para o que observam e o relacionam com fatos já estudados", completa a professora, considerada a grande especialista brasileira em estudo do meio.

"Hoje é muito importante que a escola transcenda os seus muros", concorda Lorena Nolasco, diretora de ensino de uma escola em Florianópolis (SC), que reconhece a alegria e a empolgação dos alunos nesse tipo de atividade, e os benefícios colhidos nela. Há 25 anos, a escola organiza estudos do meio com alunos a partir da Educação Infantil.

A Escola Suíço-Brasileira de São Paulo tem longa tradição nessa área, organizando expedições complexas em que os alunos aprendem não apenas o conteúdo curricular, mas habilidades que se mostrarão úteis por toda a sua vida profissional e pessoal.

"Os alunos do 3º ano do nosso Ensino Médio têm a oportunidade de organizar uma viagem por inteiro, administrando hospedagem, comida e passeios dentro de um orçamento pré-estabelecido", relata o professor Cláudio Patto, um dos coordenadores do ELO (Educação de Liderança Outdoor), programa especial desenvolvido pela escola.

Porém, um estudo do meio bem realizado começa pelo planejamento do professor, passa pela aprovação dos pais e termina com a retomada do conteúdo em sala de aula. Veja as dicas a seguir!

O que é o estudo do meio

Antes mais relacionado ao estudo do meio ambiente, hoje podemos definir o estudo do meio como uma saída da escola com o objetivo de aprofundar um determinado conteúdo e/ou levantar hipóteses sobre um aspecto da realidade, sempre com vistas no aprendizado. Durante esse passeio, os alunos observam fatos e paisagens e dialogam com pessoas diversas. Pode ter qualquer lugar como destino (da Amazônia ao próprio bairro da escola) e envolver uma ou mais disciplinas, como enfatiza a professora Nídia Nacib Pontuschka: "O melhor estudo do meio é multidisciplinar, mas em uma tentativa de avançar para o interdisciplinar". A visita à nascente de um rio, por exemplo, pode combinar os trabalhos dos professores de geografia, química e biologia, de modo que os conteúdos se inter-relacionem.


Planejamento

Metade da tarefa é realizada antes mesmo de colocar o tênis para fora do portão da escola. É essencial que o(s) professor(es) planeje em detalhes o estudo do meio e, preferencialmente, visite antes o destino escolhido para que não haja surpresas. O objetivo deve ser bem claro e delineado, lembrando-se que uma pequena experiência pode levar a grandes aprendizados.

Realização

Durante o passeio, é importante que os professores saibam o que estimular nos alunos, como a observação de um determinado fenômeno ou a busca por respostas a perguntas pré-formuladas. São eles, também, que chamarão a atenção para a ligação entre o que está sendo vivido ali e o que foi ou será visto em sala de aula. Essa também é uma oportunidade para abordar o gênero entrevista e/ou jornalístico, pois as crianças podem entrevistar monitores, passantes, turistas - enfim, quem estiver no local. "Cada lugar é uma aula viva", diz a diretora.

Levantamento de hipóteses

Um aspecto importantíssimo do estudo do meio é despertar nos alunos o espírito científico, isto é, a observação acompanhada por levantamento de hipóteses - estas serão resolvidas ali, na hora; depois, na sala de aula; ou, talvez, nunca, mas já são suficientes para incentivar a capacidade reflexiva e crítica. Assim, ao ver um determinado tipo de musgo durante uma trilha, por exemplo, o aluno pode perguntar que tipo de vegetação é aquela e pensar, por si mesmo, por que ela cresce daquela forma e desenvolve tal aparência. No caso de estudos dos meios urbanos, as crianças podem ser estimuladas a levantar hipóteses e soluções a respeito da mobilidade, dos conglomerados de moradias precárias, da construção de grandes empreendimentos etc.

Retomada do conteúdo em sala

É hora de voltar à sala de aula. Todos felizes e contentes, e o passeio é página virada, certo? Nada disso, sob o risco de parte da vivência esvair-se. O conteúdo aprendido deve ser trabalhado em forma de redação, relatório, seminário e até veículo jornalístico: que tal preparar uma revista ou um blog para tratar do que foi aprendido? A noção de pesquisa introduzida aqui dá aos alunos a base para futuros projetos científicos, na graduação e na pós-graduação.

Presença do professor

A professora Nídia Nacib Pontuschka defende a presença do professor e a sua "mão na massa" como essenciais para um estudo do meio bem-sucedido. Ela comenta que há colégios que contratam microempresas terceirizadas para organizar e acompanhar o passeio, mas que esse não é o ideal, já que é o professor que conhece a turma e que incentivará o aprendizado de maneira harmoniosa com o que é tratado em sala de aula. "Eu consideraria que um professor é sempre o melhor acompanhante, mesmo que peça ajuda para colegas professores ou até para pais, que podem ir junto e participar", argumenta a especialista.

Rumo à independência

Além do aprendizado do conteúdo, um benefício secundário - mas também fundamental - do estudo do meio é a conquista de independência por parte da criança. "Ela aprende a organizar a lancheira para um dia inteiro, depois a fazer mala e a dormir fora", lembra a diretora Lorena Nolasco, que propõe uma experiência gradativa, ao longo dos anos escolares: primeiro, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os alunos passam um período fora; depois, um dia inteiro; no Ensino Fundamental II, um fim de semana; no Ensino Médio, já estarão preparados para passar até uma semana inteira viajando.

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