A família do segurança Fábio Henrique Caetano de Paiva, de 32 anos, que morreu após despencar com a bicicleta do topo de uma cachoeira na zona rural de Agudos (13 quilômetros de Bauru), esperou mais de 14 horas entre o resgate e liberação do corpo para o velório e sepultamento. Revoltados, os parentes da vítima criticaram o que chamaram de descaso do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru. A reportagem tentou conversar com o plantonista do órgão, mas não conseguiu. O acidente foi divulgado ontem com exclusividade pelo JC (leia mais abaixo).
Douglas Reis |
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Magda Caetano Carvalho disse que ficou inconformada com a demora do IML em liberar o corpo de Fábio Henrique Caetano de Paiva |
“A que horas vamos velar meu sobrinho?”, perguntava uma das tias de Fábio, Márcia Caetano. Segundo ela, a mãe e a mulher do segurança estão em estado de choque, inconformadas. “Minha irmã, mãe do Fábio, tem ponte de safena. Viu o filho saindo de casa para fazer trilha e não consegue sequer velar o corpo. O enterro está marcado para as 17h e são meio-dia e não temos o corpo para velar. É compreensível tal descaso?”, questionou.
Outra tia da vítima, Magda Caetano de Carvalho, estava inconformada com a situação que classificou como absurda. “O Fábio era como um filho para mim. Eu ajudei a criar ele. Estamos muito tristes. O IML fica enrolando. O corpo vai chegar na última hora e a gente vai ter que enterrar sem velar. Isso não é justo”, declarou, entre lágrimas.
De acordo com ela, o IML alegou que o médico legista estava em Jaú e que não sabia a que horas ele conseguiria se deslocar até Bauru para fazer a necrópsia. “Meu sobrinho morreu ontem (anteontem) e, até agora, a gente não viu o corpo por conta dessa situação. Não sabemos mais o que fazer”, desabafou.
Outra tia de Fábio, Mara Sílvia Carvalho Leite, considerou uma aberração não ter médico legista em Bauru. “É uma situação que nunca pensamos passar. Meu sobrinho morreu e, depois de mais de 12 horas, ainda não temos o corpo para velar”, disse. Segundo ela, ele era casado e tinha uma filha. “A mãe e a mulher dele não têm condições de falar. Estão chocadas com tudo isso. É um absurdo essa dificuldade de liberação do corpo”, criticou.
Velório
De acordo com familiares, o corpo do segurança só foi liberado pelo IML aos familiares por volta das 12h30. Velado por apenas quatro horas no Centro Velatório São Vicente do Jardim Redentor, bairro onde morava, Fábio foi sepultado no Cemitério do Redentor às 16h30. As circunstâncias do acidente serão investigadas pela Polícia Civil.
Como foi o acidente
O segurança saiu de Bauru com amigos, no sábado à tarde, para fazer trilha de bicicleta na zona rural de Agudos. Por volta das 18h30, ele teria parado para fotografar a paisagem, mas acabou se desequilibrando e caindo do topo de uma cachoeira com cerca de 30 metros de altura.
O local do acidente fica próximo ao Seminário Santo Antônio, na rodovia da Amizade, que liga o município a Borebi. “Ele postou uma foto por volta das 17h no facebook”, conta a tia dele, Márcia Caetano.
“Pouco depois, teria caído de uma altura de 30 metros. Segundo o médico socorrista, ele quebrou o corpo todo. Por isso precisava do médico legista para o laudo”, explica.
O resgate da vítima demorou algumas horas em razão da dificuldade de acesso ao local. Quando a equipe do Corpo de Bombeiros localizou Fábio, por volta das 22h, ele estava morto.
De acordo com Márcia, o corpo dele chegou em Bauru somente por volta das três horas da madrugada de ontem. “A mulher dele é que fez o reconhecimento no IML”, revela.
Segundo outra tia do segurança, Mara Sílvia Carvalho Leite, um amigo de Fábio, que fazia trilha com ele, viu quando ele escorregou e pediu para ele soltar a bicicleta. “Ele não soltou e caiu junto. Ele escorregou nas pedras”, declara.
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Reprodução Internet |
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O segurança a caminho da cachoeira onde o acidente aconteceu |

