O advogado do universitário Paulo Henrique Santiago dos Santos, 22 anos, Guilherme Braga, afirmou ontem que não existe “nenhum indício de que o jovem tenha encostado” no coronel da PM, Reynaldo Simões Rossi durante o protesto que ocorreu anteontem na região central de São Paulo.
O coronel foi espancado por cerca de dez pessoas durante o ato na frente do Terminal Dom Pedro II, e teve a clavícula quebrada, além de cortes nas pernas e na cabeça. A maior parte dos agressores flagrados em fotos e vídeos estavam mascarados.
Souza é o único preso até o momento pelo crime e foi indiciado por tentativa de homicídio. “Em nenhum momento ele aparece agredindo nas fotos. O bolo da agressão estava no meio da manifestação então tinha um monte de gente por perto e no quadro das imagens aparece o rosto dele. E com isso, a polícia identificou ele como agressor. Mas em nenhum momento, aparece ele agredindo”.
“Não existe nenhum indício de que meu cliente tenha encostado no policial. Existe apenas uma foto com ele próximo ao coronel. Essa situação beira ao absurdo. A gente está acostumado com muitos absurdos na polícia, mas essa situação é esdrúxula ao extremo”, afirmou o advogado à reportagem.
A defesa do jovem, que chamou a prisão de “esdrúxula ao extremo”, entrou ontem com um pedido de liberdade provisória, negado pela Justiça. O advogado afirmou que entrará amanhã com uma pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça.
Santos estuda relações internacionais na Faculdade Santa Marcelina e trabalha em uma empresa da região de Perdizes (zona oeste), conta Braga. “Ele é tranquilo, idealista e está totalmente assustado com essa situação. Ele perguntou do policial até mesmo porque ele estava naquela situação tentando apartar os ânimos”.
Anteontem, a polícia disse que o rapaz deverá ser transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) do Belém hoje.
A defesa de Santos também questiona o indiciamento do rapaz por tentativa de homicídio. Para o advogado, o caso se trata de lesão corporal.
Alckmin defende punição severa
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) condenou ontem pelo twitter a agressão sofrida pelo coronel da Polícia Militar, Reynado Rossi. Após o fato, o governador diz defender maior punição para quem agride policiais em serviço.
“Defendemos a mudança da lei federal para que o crime de agressão a policiais tenha agravante. Policiais são representantes do Estado e defensores da sociedade”, escreveu Alckmin no microblog.
Em Buri (203 km de Bauru) durante uma coletiva à imprensa neste sábado, Alckmin voltou a falar sobre o assunto. Ele chamou os vândalos de ‘marginais”. “É inadmissível tudo isso. Há manifestações legítimas que fortalecem a democracia e a liberdade de expressão. (O que aconteceu) não é liberdade de expressão”, afirmou.
Rossi foi espancado por um grupo de adeptos do “black bloc” -que pregam destruição do patrimônio como protesto - na entrada do terminal Dom Pedro II, no centro de São Paulo, na noite anteontem. Ele fraturou ossos do ombro e sofreu várias lesões pelo corpo. O coronel recebeu alta ontem do Hospital das Clínicas.
Preso, Paulo Henrique Santiago dos Santos, 22 anos, foi indiciado sob suspeita de tentativa de homicídio do coronel. Outro rapaz de 22 anos também está sendo investigado e é suspeito de participar do espancamento.