Regional

Apagão dificulta cirurgia em Iacanga

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 4 min

Arquivo/Aceituno Jr.

Iacanga enfrenta problema de apagaões

As frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica em Iacanga (50 quilômetros de Bauru) estão deixando os moradores revoltados. No último final de semana, foram registradas pelo menos nove quedas no sábado e outras três no domingo. Alguns consumidores registraram a queima de equipamentos eletrônicos. O caso mais grave, porém, foi o de um cirurgião dentista que teve de terminar uma cirurgia no escuro.

José Aparecido Legnaro conta que havia agendado com antecedência cirurgia para implante dentário em um paciente. O procedimento duraria aproximadamente três horas. “Por volta de uma hora e meia de cirurgia, acabou totalmente a energia”, revela. “Enquanto eu estava com uma auxiliar trabalhando, a outra ficou tentando ligar na CPFL, mas não conseguiu”. Segundo ele, o serviço só foi restabelecido depois de uma hora e meia.

Para terminar a cirurgia, Legnaro teve que recorrer a uma lanterna. “Faltava mais a parte de suturar”, diz. “Eu estava usando o motor elétrico para implante, mas não houve problema. Como eu já tinha feito todas as perfurações, deu para terminar só na mão. Se (a energia) tivesse acabado um pouquinho antes, eu ia ter problema. Eu ia ter que fechar uma cirurgia que estava aberta e recomeçar num outro dia”.

O dentista alega que a falta de energia em Iacanga é constante. “No domingo, nós estávamos em um sítio e a energia acabou uma três ou quatro vezes seguidas. Como lá é uma linha rural, eu não sei se foi um problema isolado ou se também ocorreu na cidade”, afirma. “Mas eu sei de várias pessoas aqui que tiveram problemas com equipamento que queimou, como televisor, geladeira”.

Por causa dos blecautes no final de semana, a supervisora de ensino aposentada Maria José Pereira de Oliveira perdeu o HD da câmera de segurança instalada em sua casa. Ela reclama que vem acumulando prejuízos em decorrência das interrupções no fornecimento de energia. “Eu já perdi dois motores de portão eletrônico, motor de geladeira, motor de máquina de gelo, monitor das câmeras de segurança”, cita.

Apesar dos danos nos equipamentos, Maria José conta que não entrou com pedido de ressarcimento junto à CPFL em razão da burocracia. “A primeira vez, quando queimou geladeira e máquina de gelo, eu liguei lá e a informação que eu tive é que teria que fazer três orçamentos, mandar para eles, eles analisariam, veriam qual era o melhor, eu mandaria fazer, pagaria, tiraria a nota e mandaria a nota para eles descontarem na minha conta de luz”.

“Eu acho que isso é um desaforo para o consumidor porque nós já pagamos aquele seguro. Então para que ele serve?”, questiona. A reportagem apurou que pelo menos outros dois moradores da cidade ficaram sem aparelhos de televisão por causa dos “apagões”.


Caso recente

Na semana passada, o JC divulgou o drama enfrentado por um casal de produtores rurais de Jacuba, distrito de Arealva (41 quilômetros de Bauru), em razão de frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica. Entre os dias 21 e 22, eles contabilizaram a morte de 6.800 frangos, prejuízo que ultrapassou R$ 40 mil.

Carlos Henrique e Sandra Minamoto criam as aves em um sítio para revendê-las a uma avícola de Itapuí. Em razão dos seguidos apagões, os climatizadores e equipamentos que levam automaticamente ração até os comedouros deixaram de funcionar e os frangos, com cerca de um mês de vida, morreram de calor e fome.


Manifestação

O vereador Carlos Doniseti Cardozo, o Carlão da Rádio (PMDB), informou que irá se reunir com o prefeito Francisco Donizeti dos Santos (DEM), o Chico do Bordado, para discutir o problema. Ele pretende cobrar da CPFL uma solução definitiva para as oscilações no fornecimento de energia elétrica.

O parlamentar diz que, no sábado, ocorreram entre seis e oito quedas de energia entre 8h30 e 8h50 e mais três por volta das 21h30. No domingo, foram registrados outros três blecautes por volta das 8h30.

Além dos transtornos que os apagões geram à população, Carlão, que é dono de uma emissora de rádio, teme por danos nos seus equipamentos. “Se não houve uma resposta por parte da CPFL, em breve, a gente vai fazer uma manifestação contra a empresa e parar a cidade”, revela.

A CPFL Paulista limitou-se a informar que, no domingo, foram registrados dois piscas (interrupções momentâneas de energia com duração menor do que três minutos) para 2.268 clientes de Iacanga. “Os piscas foram registrados às 8h33 e às 21h10 devido a manobras na rede elétrica”, justificou. 

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