Internacional

Europa ajudou espionagem dos EUA

Folhapress
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O diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos defendeu ontem a legalidade da atuação do órgão em meio à indignação de governos europeus aliados por causa da suposta espionagem contra seus líderes.

Em depoimento à Comissão de Inteligência da Câmara dos Deputados, o general Keith Alexander ofereceu uma apaixonada defesa da NSA, dizendo que a agência está voltada para a prevenção de ataques contra os EUA e seus aliados e que atua sob rígida supervisão.

“É muito mais importante para este país que defendamos esta nação e assumamos as surras do que abrirmos mão de um programa que resultaria em esta nação ser atacada”, disse Alexander, referindo-se às críticas feitas à agência.

Sob um interrogatório cordial do presidente da comissão, deputado Mike Rogers, Alexander qualificou como “completamente falsos” os rumores da imprensa europeia de que a NSA teria recolhido dados sobre dezenas de milhões de telefonemas na França, Espanha e Itália.

Parte dos dados citados em documentos vazados pelo ex-técnico de inteligência Edward Snowden foi colhida não só pela NSA propriamente dita, mas também “fornecida à NSA por parceiros estrangeiros”, disse o general.

“Não são informações que coletamos a respeito dos cidadãos europeus. Representam informações que nós e nossos aliados da Otan coletamos na defesa dos nossos países e em apoio às operações militares.”

Rogers alertou que a coleta de informações no exterior é importante para proteger os norte-americanos e seus aliados.

“Toda nação coleta inteligência estrangeira. Isso não é único dos Estados Unidos”, afirmou ele, em declaração inicial lida à comissão.

“O que é único nos Estados Unidos é o nosso grau de supervisão, nosso compromisso com as proteções à privacidade e nossos pesos e contrapesos a respeito da coleta de inteligência.”

Depuseram na audiência também o adjunto de Rogers, Chris Inglis, o diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, e o subsecretário de Justiça, James Cole.

Manifestantes no plenário seguravam cartazes que diziam “Parem de nos espionar”, e gritavam “mentiras, mentiras e mais mentiras”.

Os diretores das agências de inteligência já depuseram ao Congresso semanas atrás, quando foi revelado que a NSA havia recolhido informações sobre telefonemas e comunicações digitais de milhões de norte-americanos.

Desta vez, eles falaram num momento de indignação de aliados europeus, principalmente a Alemanha, por causa da possibilidade de que seus cidadãos e governantes tenham sido monitorados.

Clapper disse na audiência que uma das missões mais fundamentais das agências de inteligência dos EUA é entender as intenções dos líderes estrangeiros. Ele falou em termos amplos e históricos, sem mencionar líderes específicos.


Espionar é preciso

Após as novas revelações de que o celular da chanceler alemã, Angela Merkel, teria sido espionado pela segurança americana, James Clapper, o diretor de inteligência nacional, defendeu a espionagem de líderes estrangeiros.

Afirmou que conhecer as intenções de líderes estrangeiros é um dos princípios básicos da espionagem.

Clapper, que depôs ontem no Comitê de Inteligência da Câmara dos EUA, afirmou, porém, que a ação da NSA não é indiscriminada.

Segundo o diretor de inteligência, países aliados, incluindo membros da União Europeia, também tiveram os Estados Unidos como alvo de espionagem.

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