Nacional

Governo quer diálogo com ?black blocs?

Por Tai Nalon e Fernanda Odilla | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Ao mesmo tempo em que escalou seu ministro da Justiça para discutir soluções para o vandalismo nos protestos com São Paulo e Rio, a presidente Dilma alfinetou o governo paulista e criticou a “violência contra a periferia”. Seu secretário-geral, o ministro Gilberto Carvalho, defendeu por sua vez o diálogo com os “black blocs”.

A estratégia de mão dupla é calculada. Desde que “tuitou” condenando “barbáries antidemocráticas” dos mascarados que agrediram o coronel da PM de São Paulo Reynaldo Simões Rossi, na sexta-feira, Dilma vinha sendo cobrada nas redes sociais para que falasse sobre violência policial.

O assassinato de Douglas Rodrigues, 17 anos, no domingo, gerou novos confrontos em São Paulo e acabou comentado no Twitter ontem por Dilma. Segundo ela, “assim como Douglas, milhares de outros jovens negros da periferia são vitimas cotidianas da violência”. “A violência contra a periferia é a manifestação mais forte da desigualdade no Brasil”, disse. O adolescente morto não era negro.

Para o PT, desalojar o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) é um dos objetivos principais nas eleições do ano que vem, e a política de segurança é alvo central.

Já o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, responsável pela interface com movimentos sociais, afirmou que é preciso encontrar uma forma de dialogar com os “black blocs”. “Trata-se de um fenômeno social que nós, para podermos ter uma atuação eficaz, temos de ter um diagnóstico mais preciso. A simples criminalização imediata, ela não vai resolver”, disse.

Ele falou também sobre a violência na periferia. “Ela (a questão da violência) é muito mais complexa, agora tem misturado com toda essa questão do crime organizado, a questão dos ‘black blocs’. Entendemos que não basta criminalizar essa juventude, precisamos entender até que ponto a cultura de violência já vivida na periferia já emigrou para esse tipo de ação.” “Precisamos de alguma forma ter uma ponte, nós estamos buscando com muita força esse diálogo, para achar uma saída eficaz”, disse ele.

Na outra ponta, o governo acenou para o eleitorado contrário à violência - o Datafolha mostrou no domingo que 95% dos paulistanos desaprovam os “black blocs”.

Para isso, José Eduardo Cardozo (Justiça) vai se reunir hoje com os secretários Fernando Grella (SP) e José Maria Beltrame (RJ) para discutir ações conjuntas. “Não significa reprimir liberdade de manifestação, mas análise de inteligência, investigar e aplicar punição da melhor forma possível às pessoas que transgridem a lei”, afirmou Cardozo, que chegou a ser cotado para disputar o governo - no que foi preterido por Alexandre Padilha, ministro da Saúde.

Segundo Cardozo, Rio e São Paulo foram escolhidos porque são os locais onde os protestos “recorrentemente” acabam em vandalismo.

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