Articulistas

O outro lado da moeda

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Vergonhoso o ataque covarde de mascarados contra cidadão em exercício da profissão em manifestação ingenuamente denominada de democrática. Pelo fato de ser o golpeado um militar de alta patente, em nada muda o conceito de covardia. Se um dos mascarados fosse atacado por grupo de militares, de que forma seria relatado o fato? Truculência policial na agressão de jovem manifestante em pleno exercício da democracia! Tudo em letras garrafais. Porém, sendo a vítima, policial militar, os agressores recebem a coroa de louros da impunidade. A hipocrisia é tanta que chega a ferir a alma da população. O fato é que paira sobre a nação a lona pesada da anarquia generalizada. O país, resta acéfalo e ninguém tem nada com isso. O patrimônio público e privado é brutalmente destruído e a população assiste estupefata o abraço da inércia da justiça. A lei e a ordem, debilitadas e sem rumo, restam escondidas em luxuosos gabinetes, onde o cafezinho é o mais caro do mundo e dinheiro não é problema para as Excelências, que, protegidas por seguranças particulares e carros blindados, usufruem dos regalos custeados pela arrecadação.

Quem será punido nesta massacrante convulsão social? A baderna é sobremesa farta para políticos que no silente aconchego dos privilegiados, aplaudem, pois enquanto reinar o caos, a corrupção acampa. De quando em quando, estoura escândalo dantesco, mas é abafado rapidamente pela lona do grande circo e o desfalque é olvidado. Já a famigerada ditadura militar, que a história refuta período de tortura e censura, tornou-se acanhada, tímida e inocente e quem viveu naquele período, por certo não conviveu com tanta violência, tantos desmandos e tanta impunidade. Infelizmente a continuidade de atos de vandalismo sem qualquer repreensão, leva ao entendimento que em terras de Cabral tudo é permitido e ninguém é punido.

O outro lado da moeda é que a minoria laboriosa, que paga impostos, valoriza a família, cria e educa os filhos, resta deveras injustiçada. A maioria, lobistas, atravessadores, estelionatários, assaltantes, políticos corruptos, golpistas, e vândalos são enaltecidos. O jovem cientista, o músico talentoso, o professor, o médico e os demais profissionais, pilastras de sustentação da sociedade brasileira, jamais receberão verbas para pesquisas, sequer serão destaques de jornais e nunca receberão salários dignos pelos serviços prestados à sociedade.

O Brasil tornou-se moeda de escambo, onde o lado precioso jaz escondido: o lado do bem e da ética.

A autora, Valderez de Mello, é professora, advogada, psicopedagoga e pedagoga, autora de Lágrimas Brasileiras e Trama e Urdidura

Comentários

Comentários