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Aterosclerose: mal da vida moderna

Claudio Gabriele
| Tempo de leitura: 3 min

Segundo dados recente da OMS (Organização Mundial da Saúde), o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) são as duas maiores causas de morte no mundo e têm como causa comum a aterosclerose. Esta doença ocorre por alterações do metabolismo dos lipídios (colesterol) no nosso organismo, levando a obstrução gradativa das principais artérias que são os vasos responsáveis pela irrigação sanguínea no nosso organismo e o que ocasiona a diminuição do fluxo de sangue arterial, principalmente para órgãos nobres como coração e o cérebro (sistema nervoso central). Pode ser agravada pela diabetes, hipertensão arterial (pressão alta), obesidade, tabagismo e pelos hábitos da vida moderna, como sedentarismo e dietas alimentares ruins com alta ingestão de carboidratos, gorduras saturadas e alto teor de sódio em produtos alimentares industrializados.

Muitos pacientes chegam ao ponto crítico da doença e com manifestação dos sintomas como o infarto e o AVCI, porém com evento não fatal. Nestes casos é necessário um tratamento mais intensivo com o uso de medicamentos específicos para controle do colesterol, do diabetes, da pressão alta além de outras medidas farmacológica que auxiliam na interrupção do hábito de fumar assim como prática de atividade física aeróbica orientada também que também é recomendada.

Hoje o AVCI é uma das doenças que mais incapacita no mundo devido as sequelas no sistema neurológico central (cérebro) que segundo o relatório da OMS houve um aumento da ocorrência desta doença principalmente na população de pessoas economicamente ativas. Uma de suas causas é a obstrução da artéria carótida provocada pela aterosclerose. O tratamento, em alguns casos, deve ser cirúrgico para desobstrução desta artéria e, assim, reestabelecer o fluxo de sangue arterial e com o intuito de prevenir o AVCI. O diagnóstico, muitas vezes, é simples e se baseia na história clínica do paciente, seus hábitos de vida, além do exame clínico que pode identificar um sopro (ruído característico) no trajeto da artéria carótida. De acordo com critérios já estabelecidos, o médico deverá solicitar demais exames de imagem que auxiliem e confirmem o diagnóstico.

É possível que alguns pacientes apresentem um ataque isquêmico transitório, popularmente conhecido como "ameaça de derrame", com sintomas neurológicos característicos, porém sem sequelas. Nestes casos, é fundamental agilidade e rapidez no diagnóstico além do início imediato do tratamento medicamentoso. Postergar o diagnóstico, muitas vezes, significa perder a chance de tratar preventivamente a ocorrência do AVCI.

Hoje o tratamento cirúrgico para doença obstrutiva das artérias carótidas é baseado em duas técnicas: a cirurgia aberta (endarterectomia) que visa a retirada da placa de aterosclerose que obstrui o fluxo de sangue arterial para o cérebro (que é o tratamento padrão ouro) e a angioplastia com implante de stent . Cabe ao cirurgião vascular avaliar qual a técnica mais indicada para o seu paciente. Além da doença aterosclerótica carotídea e da doença coronariana, a aterosclerose pode provocar alterações importantes em outras artérias como, por exemplo, a Aorta, artérias renais e artérias de membros inferiores . Na aorta a formação de placas de aterosclerose pode levar a obstrução associada à formação de dilatações (aneurisma da artéria Aorta), provocando o enfraquecimento da parede desta artéria com a eventual possibilidade rotura com alta taxa de óbito quando não tratada a tempo. Nas artérias renais aumenta a chance do paciente desenvolver insuficiência renal e com diminuição da capacidade de funcionamento deste órgão, indispensável a vida. Já nos membros inferiores aumenta a taxa de amputação.

É importante salientar que embora a aterosclerose seja a principal causa de doenças graves, medidas terapêuticas como o controle das taxas de colesterol, diabetes e hipertensão associado a uma dieta saudável e balanceada, prática de atividades física aeróbica como uma simples caminhada, interrupção do tabagismo e avaliação clínica criteriosa, diagnósticos rápidos e precisos podem interromper drasticamente a evolução da doença evitando seu desfecho fatal.

O autor, Claudio Gabriele, CRM-SP 101667, é especialista em cirurgia vascular, endovascular e angioradiologia

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