Algo que não combina com cor é a expressão "não pode". Afinal, tudo vale. Pelo menos é o que sugerem os projetos em que elas percorrem vários ambientes, se ajustando a diferentes necessidades.
Ela pode, por exemplo, simbolizar uma nova fase do morador, como foi o que percebeu a equipe da Suite Arquitetos. "A cliente se separou do marido e foi morar com as filhas em um apartamento menor, no Itaim, zona sul de São Paulo. Sentimos que ela estava precisando de alegria e cor", explica a arquiteta Daniela Frugiuele.
A proposta, então, começou pelo tapete, usado para integrar a área social e se estendeu para a parede da sala de jantar. "Como o mobiliário dali era mais clássico, escolhemos uma tinta turquesa e achamos uma laca no mesmo tom para o aparador, para parecer que é um volume só."
Em um apartamento no Rio, a necessidade de colorir foi do próprio arquiteto, Chicô Gouvêa, que, com um tom laranja, fez uma cozinha para um casal com dois filhos diferente dos modelos planejados. A presença de cor em todas as paredes foi outra saída de Gouvêa para dar unidade ao ambiente.
Para Neza Cesar, pintar apenas uma parede pode ser um bom começo para aqueles que têm medo de sair do branco e preto. "Escolha uma cor de que você goste muito e a combine com uma complementar (fria ou quente). A segunda cor também pode ser neutra, incluindo aí branco, bege e cinza. Investir em cores suaves é outra opção para a pessoa perder o medo", ensina ela, que, em um ateliê no Brooklin, pôde se divertir à vontade com tons vibrantes. "Quis trazer o potencial de pintora que a proprietária tem (ela é sobrinha de Tarsila do Amaral) tirando proveito da decoração."
Fácil e barato
A cor pode ser uma solução econômica para um ambiente, que o diga o arquiteto Lisandro Piloni. Na reforma do apartamento alugado onde mora, ele usou uma tinta-lousa na cozinha. "É algo rápido, que você faz com pouco dinheiro e consegue mudar o espaço."
Por ser uma tinta acrílica semibrilho, a superfície precisa estar bem lisa, segundo ele, porque esse acabamento realça as imperfeições. A tinta-lousa ganhou da cor laranja, que ele havia pensado em usar inicialmente, pela dinâmica que ela cria. "Os amigos vêm, escrevem e vira uma recordação."
Mais do que lembrar, a tinta pode reforçar a diferença de estruturas velhas e novas de uma casa de vila no Itaim reformada pelo estúdio Superlimão. "Tudo o que a gente conseguiu preservar está cru e o que é novo entra com uma história nova e cor forte", explica o arquiteto Lula Gouveia. O amarelo foi escolhido, com os moradores, para as portas internas como forma de clarear as áreas.
Luminosidade, aliás, é um ponto-chave quando se pensa em trabalhar com cor, diz a arquiteta Paula Neder, que, em um apartamento em Copacabana, deu à tinta outra função: a de reaproveitar o antigo armário para o quarto de duas irmãs. Usando 15 cores diferentes, ela criou um ambiente divertido para as crianças. Ou mesmo para adultos - onde tem cor, tudo é permitido.