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ENTREVISTA - Denise Fraga


| Tempo de leitura: 7 min

Prática, disponível e comprometida

Denise Fraga pegou o caminho oposto ao de muitas atrizes que exercem a dramaturgia em novelas e acabou ficando marcada pelo "Retrato Falado", do Fantástico (Globo), série que teve vida longa na TV: nove anos consecutivos. Com a extinção do quadro, ela vem experimentando o mesmo tipo de humor em outras frentes, como é o caso do humorístico "A Mulher do Prefeito", da Globo, e a continuação da série "3 Teresas", que terá a segunda temporada no canal GNT no ano que vem.

Para ela, o que move um ator é um bom personagem. Denise não descarta a possibilidade de fazer novela, mas revela que recusou bons convites por conta da missão que tinha no "Retrato Falado", quadro recebia de 600 a 800 cartas por semana de pessoas querendo ter suas histórias interpretadas pela atriz.

E foi graças a essa tarefa que Denise sempre pode viver em São Paulo e desenvolver uma parceria profissional e, ao mesmo tempo, amorosa com o diretor Luiz Villaça, seu companheiro de estúdio e de vida há 19 anos.

Juntos, eles formam um casal "unha e carne" e é dentro da casa dos dois que muitos projetos nascem, como a série da Globo em que ela faz Aurora, uma dona de casa e adestradora de animais que se torna prefeita de uma cidade fictícia, Pitanguá, após o marido, o prefeito Reinaldo (Tony Ramos), ser afastado do cargo por falcatruas.

Denise se identifica um pouco com a personagem, que é prática, disponível e comprometida, segundo a definição dada pela atriz.

Envolvida na maratona de gravações de "A Mulher do Prefeito" até dia 10 de novembro, Denise não vai ficar parada por muito tempo, pois a nova temporada de "3 Teresas" começa a ser rodada em janeiro. No seriado, ela faz Teresa, uma mulher explosiva que divide o mesmo teto com a filha, Tetê (Manoela Aliperti), e sua mãe, Teresinha (Claudia Mello).


Após gravar "A Mulher do Prefeito", você já engata uma nova tarefa na segunda temporada de "3 Teresas", certo?

Denise Fraga - Sim, vamos acabar de gravar "A Mulher do Prefeito" em 10 de novembro. Aí, ficaremos um mês de férias e voltamos a trabalhar logo no começo do ano com a gravação de "3 Teresas". O bacana é que temos a mesma equipe nos dois projetos. Nosso pessoal está junto há um tempo, então, temos valores sedimentados.

Você ficou quatro anos sem fazer TV aberta. Havia uma certa cobrança para você voltar?

Denise - As pessoas perguntavam muito nas ruas porque o "Retrato Falado" está passando no canal Viva esse tempo todo. Queriam que o projeto voltasse para o "Fantástico". Eu tinha saudade, sim, apesar de ter feito vários projetos diferentes nos últimos anos, principalmente no teatro, que é o grande lugar que nutre o ator, onde fazemos um jogo de erro e acerto. Então, não existiu uma parada. E ainda teve TV paga e cinema aí. Só não via sentido em fazer projetos nos quais eu não acreditava. Mas, agora, estou no ar até dezembro na TV aberta com "A Mulher do Prefeito". Divirtam-se (risos).


Você parece superempolgada com esse projeto da Globo. Sua relação é sempre assim com seus trabalhos?

Denise - Sou uma pessoa sortuda porque faço projetos próprios. Quando você faz aquilo que saiu da sua cabeça ou, no meu caso, da minha parceria com o Luiz (Villaça, marido e diretor), é alguma coisa que eu quero fazer. Chega uma fase da vida em que a gente usa o nosso ofício para fazer algo que te move. A raiz do nosso trabalho é a mesma da fofoca. Você descobre algo e quer contar para todo mundo.

E como surgiu a ideia de fazer "A Mulher do Prefeito"?

Denise - A gente estava desenvolvendo projetos para o pacote de trabalhos que fazemos para a Globo, incluindo a série "3 Teresas", do GNT (canal que pertence às Organizações Globo). Então, a gente estava em uma mesa tendo ideias e "A Mulher do Prefeito" estava nessa lista. O Maurício Farias (diretor de núcleo da Globo) foi quem analisou as propostas e decidiu fazer a série.

Então, qual é a grande qualidade da série, sob o seu ponto de vista?

Denise - É um show de acontecimento! Eu agradeço a série de aventuras que esse trabalho me proporciona. É um programa muito dinâmico, com muito humor. São muitas cenas por episódio, pois elas são curtas. Estou vivendo uma maratona.

A série está sendo gravada em São Paulo. A capital paulista reflete melhor o que vocês querem passar?

Denise - Em São Paulo, gravamos em locações porque dá uma realidade muito grande. Pitanguá é uma cidade fictícia, mas que tem um mix de cidades brasileiras: casinhas, prédios, trânsito, polícia e muitas mazelas da administração pública.

A inocência da Aurora diante dos meandros do meio político é o que mais te encanta na personagem?

Denise - Parece que ser inocente ou boazinha virou quase uma coisa pejorativa de se dizer, diante do excesso de informação que temos hoje em dia. Gosto de dizer que ela é disponível e comprometida. Ela arca com os atos dela. Se ela assumiu a prefeitura, ela arca com a prefeitura. Ela vê que as pessoas estão ganhando mal e começa a investigar isso, fazendo um verdadeiro censo sobre o tema. Aí, ela descobre que tem um jogador de futebol recebendo como engenheiro da prefeitura. O raciocínio dela é simples e livre dos vícios da política. Ela faz coisas que todos nós gostaríamos de fazer. A Aurora é uma pessoa do tipo "por que não?".

Você é uma pessoa "por que não?"

Denise - Olha, eu sou otimista. De certa forma sou uma pessoa "por que não?". Não que seja eu ali na série, mas tenho esse olhar até ingênuo para certas coisas. Sinto que a gente deixa de fazer o que acredita por se prevenir. Acho até que muitos políticos chegam lá cheios de boa intenção, mas, ao primeiro sinal de que não é bem como imaginavam, eles constroem uma carapaça.

Aurora vai ter um caso com o assessor, o Seixas (Felipe Abib). Então ela não é nenhuma santinha, certo?

Denise - Esse triângulo amoroso começa porque o Seixas era secretamente apaixonado por ela. Quando ele passa a viver todo dia ao seu lado, isso vem à tona. Ele deixa a paixão vazar e essa história vai ter um desenrolar sem ser maniqueísta. A Aurora não odeia o marido, mesmo ele sendo um canalha. Ela é idealista e criteriosa, mas também faz coisas sem pensar. Os personagens têm um lado muito particular em cena e é, a partir desse cotidiano, que o mal de cada um é revelado.

Você e seu marido conseguem não falar de trabalho quando estão em casa?

Denise - A gente não consegue, mas a gente trabalha com uma coisa que ama. Nenhum pai te obriga a ser ator. Não é uma coisa que você chega em casa e quer esquecer. Eu falo que quem lucra é quem nos contrata, pois nenhuma empresa tem de pagar nossas horas extras. Não tem jeito, a gente vai para casa e leva o trabalho junto, sim. Acredito que um casamento só dá certo quando duas pessoas se juntam e se fazem melhor a partir dessa união. A gente aprendeu a discutir sobre trabalho e ir adiante.

Então, você e o Luiz brigam por conta do trabalho?

Denise - A gente briga pra caramba. Acho que quem trabalha conosco pensa: "Acho que amanhã eles não vêm trabalhar". Às vezes, ele me chama no canto para resolver algum impasse. A gente sempre opinou no trabalho um do outro e, agora, não tem mais como não falar.

Como é receber esses novos nomes do humor, como o Felipe Abib e o João Vicente de Castro?

Denise - É muito legal na nossa profissão essas conexões diversas. Pessoas que você não conhecia e escala para fazer um papel. Você tem de estar sempre antenado para isso poder acontecer, porque é saudável. Eu e o Felipe somos o Batman e Robbin, nós somos uma dupla na série. Esse par romântico fica em dúvida, mas é essencial dizer que o Felipe tem o "timing" cômico Legal também ter vindo o João Vicente de Castro, que faz um grande sucesso no Porta dos Fundos (programa da internet). É bacana abrir a porta para o novo.

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